Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was produced from images generously made available by National Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) VIAMOS E NO VEREMOS. ALEGORIA MORAL. Acompanhada de outras diversas Maximas relativas nossa Liberdade CONSTITUCIONAL LISBOA NA IMPRESSO REGIA. ANNO 1820. _Com Licena da Commisso da Censura_. _Sacro Febo, no cesses D'espalhar teus luzeiros; As verdades mais ss desdobra aos homens; Quartel no dando Escurido, aos Erros, A Humanidade misera liberta Do Jugo insoportavel Da Ignorancia, fatal, que he mi dos males_. De Fr. X. Monteiro de Barros. VIAMOS E NO VEREMOS. ALEGORIA MORAL. _Dedicada ao Excellentissimo ***[1] hum dos Dignissimos Deputados da Junta Provisoria do Supremo Governo do Reino_ * * * * * _Mil Benes caio do Ceo sobre huma sabia Constituio Nacional_. Do Observador Constitucional. _Viamos e no Veremos_: (verbi gratia) Sugeitar-se hum benemerito Militar ao vergonhoso ludibrio de procurar hum Uzurario (de que abundava Portugal) para lhe rebater os Soldos, e depois de lhe pedir a 25 por cento, e concluir o negocio havendo differena em 600 ris, a favor do dito Militar, dizer o Uzurario, sem pejo nem consciencia: Os 600 ris no faamos caso d'elles; pois n'huma conta d'estas deve V.S. ceder-mos (afirmando logo que lhos no dava, porque alis lhe no podia rebater os Soldos; pois tinha quem se sugeita-se a perder 30 em lugar de 25) para eu beber huma garrafa de vinho (de veneno a precizava elle) sua saude! _Viamos e no Veremos_: Que o benemerito guerreiro possa formar as justas queixas que to justamente lhe attribuem e que to injustamente se lhes causavo o Sabio Escriptor Joo Baptista de Castro--"Desde menino tive tal inclinao Milicia, que sempre me agradou mais a lana de Achyles, que a Lira de Pars, mas a experiencia me tem mostrado, que mais vale saber manejar as Lyras que as Lanas. J se accabro aquelles tempos, em que hum Mithridates, e hum D. Joo II. de Portugal, tinho Livros em que escrevio os nomes de seus Soldados para os honrar, e premiar; agora fica encoberto o merecimento, e sepultadas as aces na falta do premio. O titulo de here j no chega aos ouvidos do Soberano, se no coberto com a capa da nobreza. Tenho-me achado em muitas batalhas, e sempre sahi dellas feito mais espectaculo de compaixo, do que assumpto de ludibrio; e com tudo sirvo de exemplo aos desgraados. Foi doutrina de hum Filosofo, que a alma se mistura com o sangue; se assim he, quantas vezes tenho eu derramado a alma pelo sangue das feridas por amor do meu Rei? Companheiros conheo eu, que nunca na campanha soubero outro quartel, que o da saude, nem mais ataque que o do somno; e hoje ostento louros das batalhas no augmento dos postos; e quando eu no descanava de dia e de noite em continuas vigilias, como Jacob, achando-me em todas as occasies na frente do meu Exercito, com tanto risco da minha vida, sendo muitas vezes o primeiro que arvorei a bandeira sobre a brexa das Praas; no sobi mais do que de Soldado razo no predicamento da fortuna humilde; nem estas cs merecro ser coroadas ao menos com a cora da hera do Profeta Jonas, que se murchava de quando em quando. Eu bem sei, que se puzer em concurso os meus merecimentos, ninguem poder ajuntar melhores certides; mas de que me serve alcanar hum pedao de po, depois que o no possa comer, soffrendo de mais a mais o insopportavel purgatorio de pretendente? Quando o despacho se comprava s com o servio, era mais barato o despacho: agora sahe mais caro, porque se compra o despacho com o servio, e com a perteno; e assim vem a custar mais o pretender do que o servir." _Viamos e no Veremos_: As tres faltas essenciaes (e que diz hum Politico que por modo nenhum se deve faltar aos Militares) isto he: A de Soldo diario, a de Remunerao extraordinaria, e a Liberdade depois de certo e limitado tempo de servio.--O Exercito bem provido de mantimentos, tarde ou nunca he vencido--a paga certa alenta, porque pela boca se aquenta o forno, e no devemos crer que sejo os Soldados como os fornos d'Arruda, que s huma vez na semana se aquento, e isto lhes basta para coserem po de Domingo a Domingo! Tem-se isto por prodigio grande, e por maior se deve ter que aturem os Militares mezes e mezes sem receberem hum real de Soldo para se vestirem e manterem. A segunda os faz constantes, por que o dezejo de aspirar, e crescer he natural, e com a certeza de melhorar de posto, e alcanar bons despachos, fazem pelos merecer, e no temem arriscar as vidas, porque o estimulo da honra he o melhor alicate que ha para avanar s grandes emprezas, e tambem o do interesse. A terceira os faz leaes, por que se se imagino captivos, e que nunca podero renunciar o trabalho da Milicia, vestem-se da condio de escravos, e he o mesmo do odio a seus senhores, e em lugar de se portarem como Guerreiros Esforados, porto se como _Forados_ das Gals!! Hum Politico adiantou mais, e chegou a ponto de dizer, que pelo antigo costume, ou pratica observada na Milicia at ao presente, muito menos penozo era ser Forado nas Gals! do que Soldado no Exercito; pois que o primeiro era preciso que o seu crime fosse muito grande para se prolongar o seu captiveiro por mais de dez annos, e o do segundo acabava com a existencia! _Viamos e no Veremos_: Que hum benemerito Sargento que muitas vezes posto que no tenha grandes Estudos huma pratica consumada o tem posto capaz de responder por huma brigada quanto mais por huma companhia, ser perterido... Em suma considerado indigno de pr huma banda cinta! Destes benemeritos Sargentos dignos no s de serem Officiaes, como acima dissemos, mas por huma consumada experiencia, honra, e pratica, capazes de responderem por huma Brigada, se encontro em o Regimento de Artilharia N.^o I. e em outros muitos Regimentos. _Viamos e no Veremos_: Capites Mres com hum poder dispotico, e absoluto para cinco Recrutas que se lhes pedio, meterem em huma cadeia (que quasi sempre succedia proximo ao Natal em que os Lavradores mato os porcos!) cem e mais filhos de Lavradores, Viuvas, e Infelizes Mis; e depois a troco de peitas soltarem noventa e cinco affim de remetterem as cinco pedidas! Outro sim meter na mesma conta (e na mesma cadeia) homens trabalhadores, que por serem d'outras terras longe de suas familias desprovidos de dinheiro; (pois que regularmente quando chego ao Sabbado j tem comido parte do dinheiro que se ha de vencer na Semana seguinte) alli se conservavo trinta, quarenta, e mais dias, quasi morrendo de fome (o que chegaria a succeder seno fra a caridade dos fieis) at que o indigno Capito Mr complete a reduo dos que prendeo, e dos que ha de mandar, e at das peitas que intentou receber!--Parece que pedia a justia, e a boa razo, (se em taes sugeitos se encontrassem!) que logo que se prende (que nunca se devra prender) hum homem para servir a Patria, fosse sustentado pelas Camaras das mesmas Villas, assim como o so os Soldados nos Calhaboios. _Viamos, e no veremos_, Chefes de Corpos (que em quasi todas as classes os havia at de Ladres!) capazes de contratarem entre Quarteis Mestres, e Soldados abonados (de dinheiro seu!!--No se procura aqui como ganho!) a venda da Fardetas quando ainda existentes na Fundio, e depois o mesmo Soldado em lugar de dadas que lhe ero em recompensa de seus servios, ter de comprar as mesmas a 1200 ris, os quaes lhe ero descontados no diario pagamento, e quando succedia no poder continuar a servir (por se achar s capaz de acabar a sua existencia pedindo esmola!) se lhe punha na sua Baixa esta verba: Vai pago de Fardas, e Fardetas (pelo contrario as tinha comprado com o seu dinheiro!) at ao presente (segundo a Data da Baixa, &c.) _Viamos e no Veremos_, horrorosos quadros, como aquelle que nos apresenta o Jornal--O Patriota--sobre o pessimo e detestavel systema de tratar, e escolher a Maruja em Portugal nos ultimos calamitosos tempos:--"O pessimo tratamento dos Marujos, he outra causa da decadencia da Armada. Hum Marujo vilmente amarrado com huma corda, ou com as mos algemadas, era conduzido para huma Cadeia d'alli passava a huma revista, ero frivolos, ero sem razo quantos motivos apresentasse; da revista para hum Deposito, aonde ociosos se davo a toda a qualidade de vicios, e de destemperos; do Deposito para huma Embarcao, e na Embarcao pela Barra fra... He chegado o momento do trabalho... Poucos so capazes de subir, poucos so capazes de trabalhar, porque a maior parte so homens que se alguma vez embarcro foi do Caes das Columnas para o de Cassilhas, que julgo j l existe; huns ero gallegos do barril, outros padeiros, estes Officiaes de Carpinteiro, e Pedreiro, e quasi todos peores do que eu, que Deos me livre de me achar em taes assados! Mas a Embarcao por milagre do Altissimo l vai... sim l vai a Embarcao exposta a perder-se, e tantas vidas... tantas vidas... faz-se a Viagem, volto, e entro no Porto, donde sahiro, que esperaro estes homens?... Que se lhes pague o seu trabalho, e tanto mais quanto foro obrigados a trabalhar; mas que succede? Demora-los a bordo immenso tempo, at que impacientados, ns, e miseraveis, e o que ainda he mais cruel, e duro, se tem mulheres, irmos, ou pai, lembrarem-se de que estaro morrendo fome, sem elles lhes poderem valler, tendo alis com que, pois tem ganho com tanto perigo huma soldada to diminuta,... e esta mesma se lhe nega... negava-se-lhe tudo... at a propria liberdade... No tem outro recurso seno fugir... fugio! Perdeo de huma vez os direitos a tudo quanto sobre as aguas do mar debaixo de procellosos aguaceiros tinha adquirido... (quando no perdia a vida como succedeo a hum infeliz de outros muitos, mas menos do que elle, que hio fugindo ha coisa de dois annos pouco mais ou menos, de bordo do Brigue--Tejo--que mandando o Commandante hum Escaller sobre a Lanxa em que hio fugindo sobre a qual atirro alguns tiros, do que resultou quando chegro outra banda, acharem e Lanxa encalhada, terem fugido os que ficro vivos, e ficar hum infeliz morto!) Oh Santa Razo! Quanto estavas degradada entre os homens!... Mas graas mil, graas mil aos nossos Libertadores, ousamos assegurar, que ser hum dos primeiros objectos digno da sua alta Considerao, da sua Justia, Rectido, e Amor da Patria!" _Viamos e no Veremos_, Leis que posso ter s o titulo de Leis _Lisbonenses_! Qualquer individuo podia ter huma Loja de Livros na Cidade do Porto (Cidade Illustre por onde principiou a dissipao destas trevas) em Coimbra, Evora, Elvas, &c. ou em outra qualquer parte do Reino. Apenas em Lisboa huma injusta representao (pois que as justas no as deixavo chegar a seus ouvidos) feita a S. M. por hum ou mais Encadernadores, que nunca vivro de vender Livros encadernados, mas sim de encadernar, dois objectos to differentes hum do outro, como he o de hum Ferreiro fazer pregos (seja-nos permitida esta expresso) e huma Loja de Ferragem vende-los; foi resolvida em Consulta no Rio de Janeiro, que s aos ditos Encadernadores fosse permittido vender Livros, do que resultou ao pobre e infeliz--Mchas--perfeito modello da actividade no seu genero, ser citado por elles Encadernadores, ento Juizes do Officio, ou para se examinar, ou fechar a Loja, e desta forma vir a perder hum estabelecimento, d'onde tirava subsistencia para si, e sua desgraada familia. Elle confessa, e at prova, que s huma ambio desmedida lhe poderia negar que elle no fosse activo para si, interessante para com seus Concidados, e de utilidade para os mesmos Encadernadores que tinho cavado a sua ruina: Em fim contina elle: Ser-me-ha preciso abandonar a minha Patria para me ir estabelecer a hum Reino Estrangeiro? (o que tera feito seno fosse dar a entender a seus Credores que tinha dinheiro mettido em si) quando em Portugal no precisa ser Encadernador, mas basta ser Estrangeiro (ou que seu pai o fosse) para ter Loja de Livros?... Ser-me-ha estranho, ou intoleravel o andar eu, de dia e de noite, offerecendo Livros pelas Lojas de Bebidas, e Bilhares do Caes do Sodr, ensinando por este modo aos meus Patricios, que eu no me despreso de que com a mesma mo com que escrevo para o Pblico ( falta de Escriptores) com essa mesma offereo os Livros, e que ao homem nada est mal seno o mal proceder?... No dou eu que fazer aos mesmos Encadernadores? No tenho eu feito trabalhar as Imprensas, e obrigado a comprar, Livros com a minha industria a homens que apenas em outro tempo talvez se lhes no achassem meia duzia de Livros em casa, hoje em dia tem enchido as Estantes dos que a mim me tem comprado? Desenganem-se que isto de Livros, ou Leitura he hum vicio (vicio assz louvavel, e interessante!) e que quanto mais ha quem venda Livros, mais Livros se vendem! Ainda que assim no fosse, aonde ha damno de terceiro, no pde haver contemplao com certos individuos; pois que o bem geral deve prevalecer utilidade de alguns. (Se he que no he huma utilidade mal entendida!) Finalmente huma grande, evidente, e decisiva prova sobre o serem prejudiciaes industria popular as Corporaes privilegiadas, ou Companhias exclusivas, se pde vr em hum dos jornaes de Pars de 12 de Septembro do presente anno, e na Gazeta de Lisboa em 9 de Outubro do dito.--Hum sabio Ministro de Napoles, entre outras muitas importantes maximas, trata em hum Capitulo separado a seguinte: "Fica offendida a liberdade da industria (prossegue o Ministro) quando se estabelecem Corporaes de Artes, e Officios; quando o Governo tem faculdade de fazer-se empresario; quando se frmo Companhias exclusivas de Commercio; quando se exclue algum ramo de industria, ou he opprimido com impostos. Quanto propriedade que se adquire com a industria, pde ser prejudicada directa ou inderectamente pelas Leis da confiscao; pela usurpao do poder administrativo nas cauzas civis; pelos emprestimos que tomasse o Governo sem huma utilidade evidente para o Estado; pelas penses concedidas sobre a divida pblica fra dos casos prescriptos pelas Leis; por impostos mal estabelecidos, ou que excedem as necessidades pblicas." _Viamos e no Veremos_, que se concedo Privilegios at aos Cegos (que parece mesmo Privilegios de Cegos!) a hum ponto tal que os authorizasse para nas teras feiras fazerem apreheno em quantos Livros achassem venda, ou, fossem ou no de particulares, e que a menor pena imposta, era, o perdimento d'elles, e 5$. de condemnao!... Acabamos de saber em fim que elles se tem deixado (posto que a sua vontade fosse o contrario) de obstar aos rapazes que ao presente se occupo (e que at he huma providencia; pois que a maior parte d'elles se occupava em tirar lenos) em vender folhetos, e Versos analogos Liberdade Constitucional. _Viamos e no Veremos_, que a huma pobre e honrada mulher lhe fosse prohibido vender huma saia, ou huma camisa com o risco de a perder, e ir parar ao Limoeiro. _Viamos e no Veremos_, huma infame Proclamao que d o nome de--Rebeldes!!!--aos Heres que no dia 24 de Agosto levantro pela primeira vez a voz da Razo, e do Heroismo sobre a Liberdade Constitucional. _Viamos e no Veremos_, hum infeliz criminoso estar prezo quatorze annos ao fim dos quaes propor-se em Relao, e dar-se-lhe a escolher se queria morrer, ou ser carrasco! To infeliz quanto generoso, e de alma grande foi hum criminoso, que respondeo: Quero morrer, porque posto que eu com constancia tenha supportado quatorze annos de prizo, no me acho com foras bastantes para ficar o restante da vida com a obrigao de ser algoz da Humanidade! Em fim _Viamos_... _Viamos_... _Viamos_... e no Veremos... e no Veremos... e no Veremos... coisas que tanto nos fazio a vista turva, e que nos estavo quasi fazendo cahir em hum perfeito Chos de escuridade; porm agora pelo contrario _Veremos_... _Veremos_... e _Veremos_... coizas que nos fao, e faro a vista clara qual Linces, nossos gosos felizes, e affortunados... Em concluso:--Veremos, que assim como Portugal he nomeado, ou tido por--Paraiso na terra--ns o seremos por--Entes bemaventurados no Mundo. _Pensamentos, e Maximas proprias, e adequadas s Idas Intellectuaes, e Moraes do Homem_. _Liberdade_. I. Diogenes, perguntado, que cousa havia melhor na vida, respondeo: A liberdade que perde o Avarento, em quanto se faz escravo de todos os vicios. II. Empenhou-se Pericles a ter em sua companhia a Timon, e lhe fazia to grande partido, que lhe prometteo com grandeza tudo quanto lhe fosse necessario para passar a vida humana alegremente: Respondeo-lhe elle, que no vendia a sua liberdade. III. Nunca usamos melhor da nossa liberdade, do que quando a sacrificamos direco de pessoas, que ho de responder necessariamente da authoridade com que della usro. IV. Quem se lembrasse, que no foi dada a liberdade para della usar descrio das paixes, mas s pelas regras do bom sentido, da razo, e das Leis, logo que se no sentisse com foras para a levar por estes caminhos, a no querer despenhar-se, estimaria topar a quem quizesse carregar-se do contrapezo de responder por si e pelos outros. V. Persuadia huma Hippcrates, que se passas-se para Xerxes, dizendo-lhe que era bom Senhor. Respondeo elle: Nem ainda de bom senhor tenho eu necessidade. VI. A liberdade politica, he a que tem cada individuo da sociedade, no para executar quanto lhe fizer emprehender huma fantezia selvatica; no foi para isto, que nas primeiras convenes se acordro os homens entre si de hum deposito commum de suas foras relativas; mas he para gozarem toda a segurana de quanto lhes pertence, sem dever ser perturbado de outro seu igual, e similhante Feliz Estado, em que s se depende da Lei. VII. A hum que invejava a fortuna de Aristoteles, por comer meza com Alexandre, disse Diogenes: Melhor he a minha, pois Diogenes janta quando Diogenes quer; e Aristoteles quando quer Alexandre. VIII. _Non bene pro toto libertas venditur auro_, disse Horacio. E o judicioso Falco introduz a hum rato muito invejoso de ver a outro em huma ratoeira rodeado de muito comer, e campo mui espaoso para passear. Assim he lhe respondeo elle, porque no me falto iguarias, e este palacio to formoso para me divertir; mas amigo tomara-me eu daqui cem legoas. IX. Diogenes, perguntado, que cousa havia melhor na vida, respondeo, que a liberdade: _libertas_. * * * * * Se ns nos podmos chamar felizes por observar-mos depois de hum Quadro to espantoso de passados males, hum to brilhante de bens presentes, e futuros bens; com melhor razo nos poderiamos chamar felicissimos se podessemos recuperar a perda deploravel do objecto que trato os dois ultimos versos do maravilhoso Soneto de hum dos nossos sublimados Engenhos, que abaixo transcrevemos, que pde servir de quadro s passadas, e presentes circunstancias em que se vio, e v Portugal. *SONETO.* Com o tempo o prado secco reverdece, Com o tempo cahe a folha ao bosque umbroso, Com o tempo pra o rio caudaloso, Com o tempo o campo pobre se enriquece. Com o tempo hum louro morre, outro florece, Com o tempo hum he sereno, outro invernoso, Com o tempo foge o mal duro e penoso, Com o tempo torna o bem j quando esquece. Com o tempo faz mudana a sorte avara, Com o tempo se aniquilla hum grande Estado, Com o tempo torna a ser mais eminente. Com o tempo tudo corre, tudo pra, Mas s aquelle tempo que he passado, Com o tempo se no faz tempo presente. * * * * * Ainda que huma sabia Constituio Nacional no abrangesse (como abrange) hum bem geral composto de diversos, e infinitos bens, bastava aquelle de constituir hum sabio, e digno Codigo, que d a Deos o que he de Deos, a Cesar o que he de Cesar: Em suma:--Que j mais posso ter as Leis as interpetraes que lhes dero (posto que com ironia) Solon, Anacharsis, e o sabio P. M. Fr. Jos Suppico, como abaixo transcrevemos. Solon, e Anacharsis, comparavo as Leis s teas de aranha, porque assim como estas s prendem algum mosquito, ou bichinho semelhante, e os maiores as rompem, e zombo dellas, assim tambem as Leis s opprimem, e castigo os humildes, e pobres; e os grandes as despreso, e fazem to pouco caso dellas, que nem ainda as toco com o dedo! O muito Reverendo P. M. Fr. Jos Suppico: Repara, ou pondera no empenho que Herodes mostrou em querer tirar a vida a Christo, e no o esperar no Templo, quando o levassem a apresentar a elle. Para que se cana Herodes em matar innocentes, em perseguir justos, em dobrar sentinellas, e em povoar estradas? Espere no Templo a Deos Menino. Mas oh que andou Herodes como Principe; e tinha ouvido dizer aos Magos, que Christo nascia Rei: E nesta supposio diz entre si: No tenho que me canar em procurallo no Templo; he Rei? he Grande? Pois no ha de ir ao Templo, porque se o ir ao Templo he observancia da Lei, estes no guardo as Leis, quebro as Leis. Torno a repetir segunda vez: Quando huma sabia Constituio no nos trouxesse outro bem, mas smente aquelle de pr o Ministro n'huma severa restrinco de dar a Deos o que he de Deos, e a Cesar o que he de Cesar, isto he: Virtude para o premio, Vicio para o castigo, serem em suma estes os dois pontos fixos das suas deliberaes sem aquella distinco que todos ns sabemos, de que tanto se vangloriavo os Nobres (que deixo de o ser huma vez que pretendem torcer a Vara da Justia) e se lastimavo os plebos! No precisa ser grande Juris-Consulto para saber (quando se no queira fechar os ouvidos vos da razo, ou do interesse!!) que o premio he dado-- Virtude--e o castigo ao Crime--que o plebo depois de praticar huma virtude, he nobre, e que o nobre depois de praticar huma vileza he plebo. Esta verdade inegavel confessa mesmo o Rustico applaude, e elogia o Sabio, e o Poeta canta: *SONETO.* Pobre, ou rico, Vassallo, ou Soberano, Iguaes so todos, todos so parentes, Todos nascro ramos descendentes Do tronco antigo do primeiro humano. Saiba quem de seus titulos ufano Toma por qualidade os accidentes, Que duas geraes ha s differentes, Virtude, e Vicio tudo mais he engano. Por mais que affecte a v Genealogia Introduzir nas vas a nobreza, De melhor sangue que Ado teria, No far desmentindo a natureza Que seja sem virtude a Fidalguia Mas que hum triste fantasma da Grandeza. Rimas de J. X. de Mattos. _Tom. II. pag._ 47. _Consideraes sobre as Leis em geral, e em particular, de alguns clebres, Filosofos, Sabios, e Oradores_. I. Perguntando Plistonacto a Pausanias, a causa, porque entre os Espartanos estavo as Leis, ainda as mais antigas, tanto em seu vigor, respondeo: Porque entre os Lacedemonios as Leis sempre domino, e nunca foro dominadas. II. Demsthenes chamava s Leis, alma da Republica, porque assim como o corpo sem alma logo acaba, assim a Republica faltando as Leis, logo se arruina. III. Sem Leis, sumptuarias, que dem o tom aos differentes ramos, que podem despedir do throno geral do pblico interesse, de mui pouco viro a servir a bondade do Sol, a fertilidade do cho, a actividade da industria, e a inergia do homem. IV. Para nos mostrar que no muitas mas sabias Leis, e risca observadas so o que formo a felicidade Pblica, dizia o sabio Arcesilo, que assim como aonde ha mais abundancia de Medicos, ha mais enfermidades, assim aonde ha muitas Leis ha mais vicios! V. As enfadonhas formalidades (que at ao presente se tem observado, porm graas nossa Nova Constituio que as dissipar) de que se acho carregadas as Leis na prtica do Foro de huma grande parte das Naes, que se dizem policiadas, pde ser, que fossem boas na sua instituio primitiva: pelo menos hoje parece que servem smente de eternisar as materias dos litigios; de dar que fazer aos Advogados; de fazer viver os Officiaes do Expediente; de obrigar a desistir hum pobre; que no tem mais, que muita justia; e de avizar a Eternidade a hum desvalido desesperado litigante. O grande P. Antonio Vieira, diz com bem graa em hum de seus Sermes, que se o Processo Criminal, que se fez a Jezu Christo em Jerusalem, fosse formalisado pela prtica actual do Foro, ainda no seu tempo no estaria consumada a Redempo. VI. Bias sentenciando morte hum delinquente, lhe corrro as lagrimas; e perguntado porque chorava, se como Juiz podia livrar o Ro, respondeo: Porque no posso faltar s Leis da Justia, nem s da natureza. VII. A Augusto Cesar, dizia Ovidio: Se todas as vezes, Senhor, que os homens pecco, cahisse sobre o delinquente hum raio, em breve tempo se veria Jupiter sem armas. Mas no inferio bem, diz o Padre Vieira, antes se todas as vezes que os homens pecco, cahisse logo o raio sobre o delinquente, no se acabario, mas sobejario raios: porque tanto que o castigo andasse junto com o delicto, nenhum homem se havia de arrojar a delinquir. VIII. A clareza, e a precizo, so dois attributos indispensaveis das boas Leis. Desde o primeiro at ao ultimo dos homens he conveniente, a meu vr, que saibo todos, o que lhes he mandado prohibido, ou tolerado. Parece que deveria ser a primeira _Cartilha do Mestre Ignacio_, que se mandasse lr aos rapazes na escolla; como acontece com a Biblia nas escolas em _Inglaterra_. * * * * * Este sentimento que ns chamamos Brio, quando elle tem por objecto o amor da nossa Patria, he a primeira das virtudes Sociaes. Todo o homem que possue, e cultiva este sentimento, ser sempre o bem-feitor da sua especie, assim como tambem ser hum modello de Heroismo para os homens que houverem nascido no mesmo terreno, e fallarem a mesma Linguagem:--Pois: Ainda que seja hum dever o amar a todos os homens, a preferencia que ns dermos aos nossos Compatriotas, s produces da sua Industria, aos fructos; e Cultura de seu terreno, ser medida de graduarmos a nossa propria estimao; Quem deu tanta superioridade Nao Ingleza (faamos-lhe justia neste particular), e tantos respeitos sobre os outros povos da Europa?... O seu Brio Nacional!--Portuguezes lembremo-nos do Brio Nacional dos Heres que honrro (e ho-de honrar) tanto a nossa Patria, que em todos os seculos foro, e sero, o espanto, e admirao do mundo Qual seria a Nao, que se no sentira ufana por ter por Compatriota hum Albuquerque, que em immensa distancia da sua Patria, ameaado de todo o poder de hum Rei Persiano sem quasi algum soccorro, respondeo aos Embaixadores deste ao pedirem-lhe Tributos?--Eis a moeda (apontando-lhes para hum monte de ballas e granadas, e pondo a mo no seu alfange) de Tributo com que costuma a pagar ElRei de Portugal! _He precizo que sejamos quem d'antes fomos_. Quando huma nao tem grandes virtudes Pblicas, nunca lhe falta aquella elevao de caracter que a faz sobressahir entre as outras Naes contemporaneas. A criao que El-Rei D. Joo 1.^o soube dr a seus filhos, e Crte, produzio tamanhos effeitos sobre o caracter Nacional, que por quasi dois seculos Portugal conservou a preponderancia do valor, e da fortuna sobre o resto da Europa. Nestes famosos tempos, a Historia Militar dos Portuguezes mostra illustres documentos de quanto se conhecio, e se praticavo as virtudes heroicas que eternizro o nome dos Gregos, e dos Romanos, e quanto o amor da familia era generosamente sacrificado ao Amor da Patria.--Entre outros grandes exemplos Portuguezes, bastar smente citar o de Antonio Moniz Barreto, Governador da India.--Achava-se em estreito cerco a importante Fortaleza de Malaca.--o poder dos Achens, e dos Jos era to forte, que a prudencia mesma desconfiava do bom successo das nossas Armas. Entre grandes precises do estado, o Illustre Barreto querendo apromptar acceleradamente os recursos que parecio impossiveis de se haverem diz aos moradores de Goa.--"Portuguezes trata-se de salvar a Patria tanto maior he o nosso perigo, tanto maiores sejo os nossos sacrificios.--Eu tenho hum filho menino, eu o offereo gostosamente minha Patria.--So necessarios vinte mil _padros_ (_quinze mil cruzados_) para conservar Malaca; meu filho seja o penhor de que o emprestimo de que fazeis ao Estado (_ainda com melhor razo do que se fizer ao corpo Politico de huma Nao se deve esperar outro tanto_) vos ser fielmente satisfeito."--Duarte Moniz, menino de sete para oito annos, ficou em penhor.--Malaca foi conservada, e o generoso Barreto, que se desempenhou promptamente para com a Cidade de Goa, deixou a todas as Naes hum eterno monumento do amor da Patria. * * * * * O Amor da Patria sempre se interessa mais pelas aces Illustres que nos precedem; porm a nossa curiosidade mais vivamente se inflama quando vemos que o sexo das graas e beleza tem servido de engrandecer a nossa Historia:--No tempo em que o nome Portuguez se fazia temido nas mais remotas partes do mundo em que as nossas Bandeiras tinho o respeito das Naes da terra, em que a nossa Linguagem foi aprendida pelos mais antigos Povos da Asia para receberem o nosso Mando: As nossas Emprezas encontravo obstaculos, porm no os encontrava a nossa gloria, nem a nossa Fortuna:--A Praa de Diu foi hum theatro de ambas! Apezar de todos os perigos da guerra, sempre o nosso valor foi aqu brilhante coroado. Era o tempo do segundo cerco, para que tinho concorrido alm da grande fama e poder dos Turcos, todos os exforos d'ElRei de Cambaia; porm era tambem ao mesmo tempo (por fortuna nossa, e gloria sua!) o Governador da praa D. Joo de Mascaranhas. Todos os recursos parecio faltar-nos, excepto o brio e o amor da gloria!--As mulheres quizero seguir o caminho da immortalidade que as circunstancias offerecio ao Nome Portuguez!!... Sem reparo nem ao estado, nem idade, todas correm defeza do commum interesse (geral da Nao) sem o menor indicio de interesse particular mais do que aquelle que resulta a todos os verdadeiros Cidados de verem exaltada a sua Patria.--Os trabalhos mais defficeis so gostosamente supportados entre Canticos Patrioticos!--A mi tinha a vingar hum filho!--A esposa hum marido!--A amante hum namorado. N'hum dia de conflicto geral a companhia, ou a lembrana de tantos penhores queridos, e amados, servio smente de estimular os exforos communs, e reciprocos:--Isabel Madeira que parecia destinguir-se nas proezas d'este dia tanto, ou mais, como j era destincta pelas virtudes conjugaes:--Hum tiro de Bombarda despedaa, a seu lado, o seu amante esposo, e a deixa na posse de quatro filhos.--As Matronas, e as donzellas que a rodeio levanto hum grito de dor; porm ella fica immovel e seus olhos enxutos!!! Estas unicas palavras respondem consternao geral das mais, e patenteio a grandeza do seu corao:--"Ninguem haja de lastimar-me! Meu marido morreo pela Patria! Posso meus filhos merecerem esta ventura!" Assim se exprimia em outro tempo o Heroismo Femenil em Lacedemonia. _Observao--Alegoria--Critica--Moral_. Quando as discusses de hum Congresso so feitas por Cidados, Sabios, e Prudentes, ento lhes podmos chamar Discusses inspiradas por Deos de Moyss (Omnipotente Deos Creador do Universo), e bem podmos estar certos que a parte restante dos Cidados, que no entro em tal Congresso, ser feliz igualmente, isto he: Sero conciderados igualmente, ou sejo grandes, ou pequenos (Fidalgos, ou Plebos) pois que o direito das Gentes no conhece distinco mais do que a Virtude, ou o Crime: outro sim apenas destingue quando se trata de premiar os bons; e castigar os mos, que os homens todos so homens! "Iguaes so todos todos so parentes, Todos nascero ramos descendentes Do tronco antigo do primeiro humano." Pelo contrario quando as Discusses so feitas por Ex-Cidados (homens s na figura!) ignorantes, e orgulhosos, ento lhe podmos chamar Discusses inspiradas por Jove! Deos dos Poetas! (ou das quimeras que val o mesmo!) e podermos ficar certos que os homens neste caso no sero tratados conforme os seus merecimentos, mas sim conforme a sua orgolhosa Representao, e exclamarmos com _La Fontaine_. Jove duas mezas poz para os dois lotes Da gente d'este mundo: O Destro, o Esperto, o Forte esto sentados primeira;--os pequenos Comem os seus sobejos segunda. * * * * * _Observaes Criticas, e Alegoricas_. I. No conceito de todos os Escriptores de boa nota (e at na realidade existente) Portugal em longitude de terreno, e mesmo no circulo circumferencial no he hum dos maiores Reinos!.. Porm quer pela sua riqueza, posio geografica, brio de seus habitantes, em summa por ser cheio como _hum vo_ (valho-me desta expresso por no ser eu o primeiro que della uso) foi sempre olhado por todas as Naes Europeas com admirao, ou emulao, conforme lhe quizerem chamar?... No obstante tal he a alternativa dos tempos, que ou por huma innao, ou por huma politica (que impolitica lhe chamra eu!) mal considerada, este pequeno circulo cheio como _hum vo_, que assim se podia considerar at poca de 1807 que a ex-politica Franceza o _galou_, e outras circunstancias (pelas causas acima que dissemos) o _regalro_, a no ser huma inesperada Providencia com a mira n'hum Heroismo Constitucional, estava o sobredito _vo_ a ponto de se _chocar_ de todo!.. II. Dizem os Politicos, (e eu o creio) que por todas as razes o homem deve aprender a Grammatica da sua propria lingua... Suppomos hum inteiro e severo Magistrado: Que bella cousa no he saber conjugar o Verbo--Eu perco (diz hum s que s vezes he mui bem que perca por que se faz merecedor de perder; pois que tem perdido outros para elle ganhar!): Ns perdemos (s vezes injustamente): E que a pluralidade do ultimo deve ser preferida singularidade do primeiro! III. Quando reina o Despotismo, e o Rigor, o Genio Grande no centro de hum Palacio, vive para si acanhado, aborrecido, e para os outros Entes morto!... Quando a doce liberdade o pequeno Genio dentro de huma choupana vive altivo, magestoso, e entre balbuciantes vozes de ignorancia!! lhe escapo alguns pensamentos interessantes, e desta sorte se torna mais util Sociedade o Ignorante livre, do que o Sabio captivo. IV. Quando o Governo he Monarquico, succede, regularmente, que estando hum homem no Throno, he governado o Reino por huma Mulher! e se est huma Mulher, por hum homem! E desta maneira vem a ser Governados os Pvos ora pelos caprichos de hum, ora de outro individuo! V. Quando o Governo de hum Reino he representado por Cidados, todos os Cidados desfruto das graas que lhes competem por seus merecimentos; e quando he representado por hum Governo monarquico apenas as desfructo os Criados Particulares do Pao, e aquelles que tem particularidades com elles! * * * * * Que aproveita ao que he depravado nos costumes proceder de Illustre Gerao? _Politica Predicavel, e Doutrina Moral do bom Governo do Mundo_. _Pag_. 486. . _II. N.^o_ 8. * * * * * _Aos Heres Portuenses, que no dia memoravel 24 de Agosto de 1820 erguro pela primeira vez a Voz da Razo, e do Heroismo a Liberdade Constitucional_. Vivei felizes Pios, Vencedores, Em ouro escriptos sejo vossos nomes, Em cedro, em diamantes, em todo o mundo. ........................................ ........................................ Em vossos peitos sos, limpos ouvidos Caio meus versos, quaes me Febo inspira, Eu desta gloria s fico contente, Que a minha terra amei, e a minha gente. _Ferreira_. Menos deloroso he (aos olhos do bom Observador) vr a virtude sem premio (pois j o leva no primeiro objecto) do que o vicio sem castigo:--O Immortal Vate o expressa.-- _E pondo na cobia freio duro, E na ambio tambem que indignamente Tomais mil vezes; e no torpe escuro Vicio da tyrania infame, e urgente: Porque essas honras vs, e esse ouro puro, Verdadeiro valor no do gente: Melhor he merece-los sem os ter, Que possui-los sem os merecer_.[2] _Cames_. * * * * * A Nobreza s he verdadeira onde ha Virtude, sem a qual he vaidade:--Os Viciosos no so verdadeiramente Nobres, e infamo a sua Nobreza.-- _Rosto de formosura, e graa ornado, Riqueza, gerao, foras, e honra. E todos os mais bens da v fortuna, Juntamente pors n'huma balana; N'outra a Virtude subir s estrellas A balana ligeira da fortuna: Mas a grave e pezada da Virtude Com o seu pezo aos abysmos decer_. _Diogo de Teive_. * * * * * No he o Soberano, mas sim as Leis as que devem Reinar sobre os Pvos. _Massillon_. * * * * * _Se o Costume he Lei, e o vicio he Engano, A estrada vos mostro do Desengano_. * * * * * _Eu a Virtude elevo, o Crime abato, Exalto o Luzo, o Gollo vitupro, D'este as aces tyranicas relato; Daquelle o Patriotismo, o peito fro: Poeticas fices no junto ao facto, Natural singeleza seguir quero, Rodeios no procuro s verdade Assim fallar costuma humanidade_. O Porto Invadido, e Libertado. Cant. 1.^o 1.^a Out. _D'hum Chos surjamos qual d'antes eramos_! (Do Observador Constitucional.) Aquella antiga idade, que contemplo Dos nossos afamados Portuguezes, Das quaes erguidas vs hum e outro templo. .......................................... .......................................... Tendo a mediocridade por riqueza, Todo o sobejo fausto aborrecio; Quo limpa, e formosa era a sua pobreza! Ferreirra 2.^o Livro das Cartas:--Carta 3.^a * * * * * _Quantos ha na nossa Aldea Lees e Lobos fingidos, Que hovero de andar despidos, Seno fra a pelle alheia_. Francisco Rodrigues Lobo. *FIM*. _Vende-se por 120 rs. nas lojas de Joo, Henriques, ao fundo da Rua Augusta; de Antonio Manoel Polycarpo da Silva, de baixo da Arcada do Senado, e Carvalho, defronte da Rua de S. Francisco ao Chiado_. *Notas:* [1] Posto que fosse nossa teno publicarmos esta Alegoria com o Nome por extenso que acima occultamos deste sabio Varo, fomos instados pelo mesmo (a quem solicitamos o consentimento, e a quem a remettemos em manuscripto antes de a publicarmos para que no fizessemos meno do seu nome); pois que elle antes queria ser sepultado no esquecimento do que incensado com Elogios! Assim o deviamos ns esperar; pois que he do verdadeiro sabio eximir-se aos Elogios, e do Ignorante sollicit-los! [2] Os titulos. End of the Project Gutenberg EBook of Viamos e no veremos, by Anonymous License: Share Alike