Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images of public domain material from Google Book Search) O DESCOBRIMENTO DA AUSTRALIA PELOS PORTUGUEZES EM 1601 CINCO ANNOS ANTES DO PRIMEIRO DESCOBRIMENTO AT ENTO MENCIONADO COM ARGUMENTOS A FAVOR DO PREVIO DESCOBRIMENTO PELA MESMA NAO NO PRINCIPIO DO SECULO XVI COMMUNICADO SOCIEDADE DOS ANTIQUARIOS DE LONDRES PELO SR. RICHARD HENRY MAJOR, ESQ. F. S. A. E POR ELLE OFFERECIDO ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA TRADUZIDO DE ORDEM DA MESMA ACADEMIA PELO SOCIO EFFECTIVO D. Jos de Lacerda LISBOA TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA 1863 DESCOBRIMENTO DA AUSTRALIA PELOS PORTUGUEZES O DESCOBRIMENTO DA AUSTRALIA PELOS PORTUGUEZES EM 1601 CINCO ANNOS ANTES DO PRIMEIRO DESCOBRIMENTO AT ENTO MENCIONADO COM ARGUMENTOS A FAVOR DO PREVIO DESCOBRIMENTO PELA MESMA NAO NO PRINCIPIO DO SECULO XVI COMMUNICADO SOCIEDADE DOS ANTIQUARIOS DE LONDRES PELO SR. RICHARD HENRY MAJOR, ESQ. F. S. A. E POR ELLE OFFERECIDO ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA TRADUZIDO DE ORDEM DA MESMA ACADEMIA PELO SOCIO EFFECTIVO D. Jos de Lacerda LISBOA TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA 1863 O DESCOBRIMENTO DA AUSTRALIA PELOS PORTUGUEZES EM 1601 COMMUNICADO SOCIEDADE DOS ANTIQUARIOS DE LONDRES PELO SR. RICHARD HENRY MAJOR, ESQ. F. S. A. E POR ELLE OFFERECIDO ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA TRADUZIDO DE ORDEM DA MESMA ACADEMIA PELO SOCIO EFFECTIVO D. JOS DE LACERDA Meu presado sir Henry. Se podesse haver logar a alguma duvida cerca da importancia de colligir, e metter no corpo da nossa litteratura, as reliquias dispersas das primeiras relaes dos descobrimentos geographicos, a duvida acharia condigna resposta na inquieta curiosidade com que os mais esclarecidos anglo-saxes, habitantes da America, voltam a atteno para as particularidades, ainda de menos monta, que respeitam s primeiras narraes historicas da sua terra adoptiva. Um vasto campo de colonisao, inferior smente America, se est desenvolvendo com rapidez no sul; e podemos presumir naturalmente que se ha de tornar questo de no pequeno interesse para os que tiverem escolhido a Australia como terra natal de seus filhos, o conhecer quaes foram os primeiros descobridores de um territorio to vasto nas suas dimenses, to importante nas suas condies essenciaes, e cujo verdadeiro modo de existir se conservou todavia em segredo por milhares de annos. No anno de 1859 tive a honra de publicar para a sociedade Hakluyt uma obra intitulada _Primeiras viagens terra Austral_, comprehendendo uma colleco de documentos e de extractos dos primeiros mappas manuscriptos, tendentes a esclarecer a historia dos descobrimentos sobre as costas daquella vasta ilha, desde o comeo do seculo XVI at ao tempo do capito Cook. Na minha introduco quella obra coube-me fazer vr que, na primeira parte do seculo XVI, havia indicaes, nos mappas, de ter sido j descoberta a Australia, mas sem documentos escriptos para o confirmar; emquanto que, no seculo XVII ha documentos auctorisados para demonstrarem que as suas costas foram visitadas pelos hollandezes em grande numero de viagens, posto que no se encontrem documentos que as descrevessem immediatamente. As primeiras viagens dos hollandezes foram feitas em 1606, e ficou para todos manifesto, como ponto historico fra de questo, que, n'aquelle anno, o primeiro descobrimento authentico da Australia foi feito pelos hollandezes. meu objecto n'este escripto annunciar que, nos dias ultimamente findos, o Muso Britannico me deparou um documento, que, sem hesitao, transfere aquella honra da Hollanda para Portugal, por tal modo que d a este ultimo paiz uma vantagem sobre o primeiro de cinco annos de indisputavel prioridade. O facto de que a Australia foi na realidade descoberta mais de sessenta annos antes, e com toda a probabilidade tambem por portuguezes, no diminue a importancia d'este outro facto--que desejo agora recordar como pela primeira vez revelado--que a primeira viagem conhecida Australia, a que se pde marcar data, e o nome do descobridor, foi feita pelos portuguezes em 1601. Comtudo, se eu houvesse de limitar-me simples enunciao do facto, sem mostrar a posio que tem de tomar na historia do indicado e authentico descobrimento da Australia, receio que a noticia por mim annunciada fosse para vs to destituida de interesse, como a mim proprio me deixaria descontente. A fim, por tanto, de estabelecer com clareza a minha questo, julgo que devo apresentar-vos um summario do que mais amplamente j escrevi na introduco da minha obra _Primeiras viagens Australia_, declarando, que por amor da brevidade, tenho omittido as circumstancias de menos momento, e algumas vezes modificado a minha linguagem; porm no me atrevi, por mera ostentao, e quando no ha com isso a ganhar, a fazer alterao no que primeiramente havia escripto. Um tal procedimento affigurou-se-me pouco delicado e menos digno. Fallei das suppostas indicaes da Australia, porque, assim como em relao America, assim tambem em relao Australia, podem assignalar-se suspeitas da existencia d'aquelles differentes territorios nos escriptos dos antigos, nos monumentos geographicos da idade mdia, e, testimunhos ainda mais positivos, com respeito Australia, nos bem delineados mappas manuscriptos da primeira parte do seculo XVI. Entre os primeiros escriptores, a citao mais notavel que posso offerecer com referencia ao continente austral, a que se encontra no Astronomicon de Manilio, liv. 1., v. 234-238, onde, em seguida a uma extensa dissertao, diz: Ex quo colligitur terrarum forma rotunda: Hanc circum variae gentes hominum atque ferarum Aeriaeque colunt volucres. Pars ejus ad arctos Eminet, Austrinis pars est habitabilis oris, Sub pedibusque jacet nostris. A data em que Manilio escreveu, posto que no possa fixar-se com exactido, suppe-se, com fundamento nas concluses deduzidas das provas internas que nos suggere o seu poema, que foi no reinado de Tiberio. No ultimo periodo, a crena da existencia de um grande continente austral anterior aos descobrimentos dos portuguezes no oceano Pacifico, demonstra-se pelos mappas manuscriptos e outros monumentos geographicos, colligidos pelas investigaes do meu chorado amigo, o fallecido erudito, e laborioso visconde de Santarem no seu _Essai sur l'Histoire de la Comosgraphie et de la Cartographie du Moyen Age_. No vol. I, pag. 229 d'esta obra, informa-nos de que D'autres cartographies du moyen-ge continurent reprsenter encore dans leurs mappemondes l'Antichthone, d'aprs la croyance qu'au del de la ceinture de l'ocan Homrique il y avait une habitation d'hommes, une autre rgion tempere, qu'on appelait la terre oppose, ou il tait impossible de pntrer cause de la zone torride. A mais antiga _assero_ do descobrimento de uma terra que tem posio, no primeiro mappa, analoga da Australia, foi feita a favor dos chins, que se suppoem terem tido conhecimento daquellas costas muito antes do periodo da navegao europa ao oriente. Thvenot, nas suas _Relations de divers voyages curieuses_, part. I, pref. Pars, 1663, diz: La terre Austral, qui fait maintenant une cinquime partie du monde, a t dcouverte plusieurs fois. Les chinois en ont eu connaissance il y a longtemps; car l'on voit que Marco Polo marque deux grandes isles au sud-est de Java, ce qu'il avait appris apparemment des chinois. A relao de Marco Polo descreve um territorio na direco da Australia, que contm oiro, elephantes e especiarias, descripo que se v claramente no poder applicar-se Australia. Sem duvida houve erro na direco da indicao suggerida, e parece certo que a terra que se pretendeu descrever era a Cambodia. No me detenho a dissertar sobre os varios erros crassos a que esta relao deu origem, em presena dos primeiros mappas hollandezes, gravados, que appareceram na derradeira parte do seculo XVI. Fallei d'elles circumstanciadamente no meu _Hakluyt_. So interessantes em relao ao importante territorio a que parece terem referencia, e na realidade recram pela sua natureza, variedade e numero. O primeiro descobrimento da Australia, reclamado por alguma nao, o de um francez chamado Binot Paulmier de Gonneville, natural de Honfleur, que deu vela d'aquelle porto em junho, 1503, de viagem para os mares do sul. Depois de ter dobrado o cabo da Boa Esperana, foi assaltado d'uma tempestade que o lanou sobre uma terra desconhecida, na qual foi tractado com hospitalidade, e d'onde, depois da demora de seis mezes, voltou Frana, trazendo coinsigo o filho do rei d'aquella regio. Infelizmente o diario de Gonneville, na sua tornada, cahiu nas mos dos inglezes e perdeu-se; porm um ecclesiastico, descendente d'um dos naturaes d'esta regio austral, que fra casado com uma parenta de Gonneville, havia colligido das tradies, e papeis avulsos da familia, e egualmente d'uma declarao judicial, feita perante o almirantado francez em data de 19 de junho de 1505, materiaes para a obra que foi impressa em Pars por Cramoisy em 1663, intitulada _Mmoire touchant l'tablissement d'une mission chretienne dans la terra Australe; par un ecclesiastique originaire de cette mme terre_. O auctor, de feito, estava animado do ardente desejo de prgar o Evangelho na terra dos seus antepassados, e consumiu a vida em diligenciar obter dos que tinham a seu cargo as misses estrangeiras o enviarem-no para alli; e demais d'isso, preencher d'alguma sorte, a promessa que fra feita pelo primitivo navegador francez de que visitaria novamente aquella regio. O trato amigavel com os naturaes, descriptos por Gonneville, que falla d'elles como tendo feito alguns progressos na civilisao, absolutamente incompativel com o caracter desleal e barbara crueldade que vemos attribuida aos naturaes da Australia-Norte por todos os mais recentes viajantes. Considere-se toda a narrao desprevenidamente, diz Burney, e a idea que de prompto e muito naturalmente ha de occorrer que a India Austral, descoberta por Gonneville, foi Madagascar. Tendo rodeado o Cabo, foi arrojado pelos temporaes para as latitudes pacificas, e to proximo d'esta terra que para alli foi encaminhado pelo vo dos pssaros. Outro ponto que merece ser conhecido, a recusa da tripulao de proseguir at India Oriental, difficilmente pde crer-se que tivesse logar, a estarem tanto vante para o nascente como a Nova Hollanda. Reclamao mais razoavel do que a precedente, ao descobrimento da Australia nos principios do seculo XVI, pode ser produzida pelos portuguezes, fundando-se no testimunho de varios mappas manuscriptos ainda existentes, pois que a tentativa, feita recentemente, de accrescentar a honra d'este descobrimento a Magalhes, na famosa viagem do Victoria ao redor do mundo em 1520, , como procurei mostrar, de todo o ponto insustentavel. A reclamao d'esta honra para a Hespanha, defendida nos seguintes termos no _Compendio Geographico Estadistico de Portugal y sus posesiones ultramarinas_ por Aldama Ayala, 8. Madrid, 1855, p. 482: Os hollandezes reclamam o descobrimento do continente da Australia no seculo XVII, com quanto haja sido descoberta por Fernando de Magalhes, portuguez, de ordem do imperador Carlos V, no anno de 1520, como se prova com documentos authenticos, taes como o Atlas de Fernando Vaz Dourado, feito em Goa em 1570, n'um dos mappas do qual est traada a costa da Australia. O dito magnifico Atlas, illuminado com perfeio, conservava-se antigamente na livraria da Cartucha em Evora. Similhante reclamao foi tambem feita por um seu distincto conterraneo, embora a viagem fosse emprehendida em servio da Hespanha, em um almanack publicado em Angra, na ilha Terceira, pela imprensa do governo em 1832, e composto, segundo se suppe, pelo visconde de S da Bandeira, actual ministro da Marinha em Lisboa. Na investigao d'este assumpto tive por fortuna o auxilio do dr. Martin, de Lisboa, editor do _Mariner's Tonga Islands_, cujo exame do mappa de Dourado me d o convencimento de que o tracto descripto no mappa como descoberto por Magalhes, de feito um memorandum ou nota-marginal carthographica do real descobrimento da Terra do Fogo por Magalhes, e que, em consequencia da sua inexacta collocao no pergaminho, foi ao depois applicada erradamente por Mercator quella parte do mundo agora conhecida como Australia, e d'ahi a reclamao de que se tracta. Agora porm passo a uma indicao mais plausivel do descobrimento da Australia pelos portuguezes na primeira parte do seculo XVI, que decorre entre os annos de 1512 e 1542. Esta indicao acha-se por frma similhante em diversos mappas manuscriptos, todos francezes, onde, immediatamente abaixo de Java, e separado d'aquella ilha smente por um apertado brao do mar, est traado, na margem dos differentes mappas, um largo territorio que se vai estreitando para o sul. Este territorio chamado a grande Java. No maior numero d'estes mappas, o largo territorio contina sempre ao longo da poro sul do globo, formando a grande terra Austral, em que desde tempos immemoriaes to largamente se tem acreditado, e juntando-se novamente com o mundo conhecido na _Tierra del Fuego_. Mas n'um d'estes mappas occorre uma excepo, muito para notar, a esta regra; o traado da costa dos dois lados, oriental e occidental, da grande Java, termina em pontos que offerecem fundado argumento de que representam os actuaes descobrimentos. Por exemplo, o ponto mais austral em que termina o traado da costa occidental o grau 35, latitude real do ponto sudoeste. O traado da costa oriental no to correcto, mas estende-se muito por baixo do ponto mais ao sul da terra de Van Diemen; comtudo pela sua distante posio teria de ser a parte de menos provavel investigao, e, posto que incorrectamente delineado, concorda com o facto geral de que a inclinao sul do traado oriental da costa muito maior que o da linha occidental. Com respeito longitude da grande Java, pde affirmar-se que, apesar de todas as discrepancias que se notam nos mappas, no ha outro territorio que demore dentro das mesmas parallelas e na mesma extenso, entre a costa oriental da Africa e a costa occidental da America; e que a Australia realmente jaz entre os mesmos meridianos que a grande massa de territorio ali traada. Relativamente ao contorno da costa, basta um mero relancear dos olhos para descobrir a geral similhana no lado occidental, embora no oriental as discrepancias, como era de esperar, sejam mais consideraveis. Na totalidade das inscripes particulares d'estes mappas occorrem alguns nomes de bahias e costas, que Alexandre Dalrymple, hydrographo do almirantado e companhia das Indias Orientaes, primeiro de todos advirtiu assimilharem-se a nomes dados pelo capito Cook s partes da Nova Hollanda, por elle mesmo descobertas. Na memoria concernente a Chagos e ilhas adjacentes, 1786, p. 4, fallando d'este mappa, diz: A costa oriental da Nova Hollanda, como ns lhe chamamos, est designada com algumas circumstancias curiosas por condizer com o manuscripto do capito Cook. O que o mappa chama bahia das Angras (Bay of Inlets) chama-se no manuscripto bahia Perdida; bahia das Ilhas (R. de beaucoup d'Isles); o logar onde tocou o Audaz (Endeavour) coste Dangereuse. De sorte que podemos dizer como Salomo, nada ha novo debaixo do sol. Esta mal cabida insinuao houve, com prazer me recordo, judiciosa refutao da penna d'um francez, M. Frederico Metz, em um artigo impresso a p. 261, vol. XLVII da _Revue ou Dcade Philosophique, Litteraire et Politique_, Nov. 1805, que mui maliciosamente observa. Se Cook teve conhecimento dos mappas em questo, e pretendeu appropriar-se dos descobrimentos de outrem, preciso suppol-o muito pouco atilado por ter conservado a estes descobrimentos os mesmos nomes, que haviam de denunciar o seu plagiato, a todo tempo que se tornassem conhecidas as fontes que tinha consultado. A costa Perigosa foi assim chamada, porque, por espao de quatro horas elle proprio se achou ali em perigo imminente de naufragar. Devemos portanto suppr que se expz a si e sua tripulao a morte quasi certa, a fim de ter plausivel desculpa de applicar um nome similhante ao que a mesma costa havia j recebido do navegador, desconhecido e anonymo, que precedentemente a descobrira. Entretanto nomes taes como bahia das Ilhas costa Perigosa so muito conhecidos na geographia. Achamos uma bahia das Ilhas na Nova Hollanda; e na costa oriental da ilha de Borneo ha uma costa das Hervagens. O bom senso d'este raciocinio, sem fallar da questo de honra com relao a um homem do elevado caracter do capito Cook, devia parecer decisivo; com tudo esta similhana de nomes, segundo eu proprio estou informado, tem sido notada por pessoas de alta posio que tem muito conhecimento d'esta regio, posto que sem nenhuma inteno de affrontar o capito Cook, como prova da identidade d'aquelle territorio com a Australia. A similhana de cte des Herbages com o nome de Botany Bay dado a uma parte correspondente da costa pelo capito Cook, tem merecido particular atteno, com quanto se saiba que esta bahia, chamada originariamente _Stingray_, e depois _Botany Bay_, no foi assim chamada por causa da fertilidade do solo, mas sim por causa da variedade das plantas, novas para a sciencia botanica, as quaes foram descobertas em um solo que alis nada promettia. claro que os primeiros navegadores deviam assignar uma denominao tal como a cte des Herbages, a uma praia digna de reparo pela rica produco da relva ou de outra qualquer vegetao, antes do que pela apreciao d'algum descobrimento botanico[1]. Se a similhana dos nomes rivire de beaucoup d'Isles e cte Dangereuse com os nomes de Cook bahia das Ilhas e o logar onde o Audaz tocou descriptivos de indisputaveis realidades, fossem apresentados por Dalrymple como prova de grande probabilidade de que o territorio representado no primeiro mappa era a Nova Hollanda, sem pretender arriscar nenhuma insinuao contra o merecimento do seu rival, ns receberiamos esta plausivel observao com deferencia e justo assentimento. Que a Nova Hollanda era o territorio assim representado, assero sustentada com varios argumentos por mais de um dos nossos visinhos francezes. M. Coquebert Montbret, em uma memoria impressa no num. 81 do _Bulletin des Sciences_ de 1804, cita a injuriosa observao de Dalrymple, e tacitamente concorda em ter ella produzido o seu effeito deceptivo no espirito de leitores incautos. Um atlas, que se acha ao presente na mo de sir Thomas Phillipps, e contm indicaes similhantes s que deixo descriptas, veiu mo do principe de Talleyrand no principio d'este seculo; e attrahindo a atteno do celebrado geographo M. Barbi du Bocage, d'elle tirou uma larga noticia, que foi lida n'uma sesso publica do Instituto em 3 de julho de 1807. N'esta diz que devemos chegar concluso de que estes atlas foram copiados dos mappas portuguezes, e por conseguinte que o descobrimento da Nova Hollanda pertence aos portuguezes. esta a opinio continua elle de M. M. Dalrymple, Pinkerton, De la Rochelt, e de varios outros; e no creio que possa allegar-se nenhuma boa razo para refutar uma opinio to bem fundada. Entretanto M. Barbi du Bocage soltou esta expresso do seu convencimento tentando fixar o periodo do descobrimento, em cuja tentativa cahiu em erros que me propuz refutar, porm a que seria fastidioso aqui alludir. A prova que subministram estes mappas, de terem tido por base os descobrimentos portugueses, a seguinte. Todos elles so francezes; e que todos so repeties, com ligeiras variaes, de uma unica origem, mostra-se pelo facto de que os defeitos sao os mesmos em todos. As indicaes portuguezas occorrem em alguns nomes, taes como terre ennegade forma afrancezada de tierra anegada isto terra coberta d'agua ou baixios; Graal cabo da Formosa. Levanta-se por tanto a questo, julgando por taes provas, se foram os francezes ou portuguezes os descobridores? Em resposta offereo a seguinte exposio. No anno de 1529 Joo Parmentier de Dieppe fez uma viagem a Sumatra, e durante a viagem morreu. Parmentier era poeta, douto classico, e igualmente navegador e bom hydrographo. Acompanhou-o n'esta viagem seu intimo amigo o poeta Pedro Crignon, que, regressando a Frana, publicou em 1531 os poemas de Parmentier, com um prologo que contm o seu elogio, no qual diz que Parmentier foi le premier franois qui a entrepris estre pilolte pour mener navires la terre Amrique qu'on dit Brsil, et semblablement le premier franois qui a descouvert les Indes jusqu' l'Isle de Taprobane, et, si mort ne l'eust pas prvenu, je crois qu'il eust st jusques aux Moluques. de pso esta auctoridade n'este ponto, porque vem de um homem de distinco, o segundo do navio, e intimo do mesmo Parmentier. Assim pois os francezes no passaram, nos mares do sul, alm de Sumatra antes de 1529. A data do mais antigo dos mappas citados no anterior a 1535, pois que contm o descobrimento de S. Loureno por Jacques Cartier n'aquelle anno; porm ainda quando no o supponhamos mais antigo que o de Rotz, que tem a data de 1542, se perguntamos de quaes viagens dos francezes nos mares do sul temos conhecimento entre os annos de 1529 e 1542, nem o abbade Raynal, nem nenhum moderno escriptor francez, nem to pouco os antiquarios que investigaram com maior indagao a historia dos descobrimentos francezes, como, por exemplo M. Lon Gurin, auctor da _Histoire Maritime de France_, Pars, 1843, 8.; e _Les Navigateurs Franais_, Pars, 1847, 8., nenhum apresenta a mais leve preteno de que os francezes navegassem para aquellas paragens na primeira parte ou no meiado do XVI seculo. certo, comtudo, que a Frana estava n'aquelle tempo muito pobre, e muito implicada em cuidados politicos para entremetter-se em longinquas investigaes nauticas. Se assim o tivesse feito, toda a America do norte e o Brasil poderiam agora pertencer-lhe. Todavia sabemos ao mesmo tempo, que os portuguezes tinham anteriormente a 1529 estabelecimentos nas ilhas das Indias orientaes; e a existencia de nomes portuguezes nos territorios de que fallamos, como se acham delineados n'estes mappas francezes, de si mesma o reconhecimento de terem sido descobertas pelos portuguezes; como sem duvida a opinio dos francezes, com respeito cobia e exclusivismo dos portuguezes, no s devia ter tornado os primeiros mais diligentes em reclamarem tudo que lhes fosse possivel em materia de descobrimentos, mas tambem devia ter estorvado a gratuita introduco de nomes portuguezes em regies to remotas, se elles proprios as houvessem descoberto. No tomo 3. da Colleco de Ramusio, na noticia do Discorso d'un gran capitano di mare francese del luogo di Dieppa, etc., que sabemos agora ser a viagem de Joo Parmentier a Sumatra em 1529, e com toda a probabilidade escripto pelo seu companheiro e elogiador o poeta Pedro Crignon, encontra-se esta expresso: Io penso che li Portoghesi debbano haver bevuto della polvere del cuore del re Alessandro..... e credo che si persuadino che Iddio non fece il mare n la terra, se non per loro, e che l'altre nationi non siano degne di navigare, e se fosse nel poter loro di mettere termini e serrar il mare del Capo di Finisterre fin in Hirlanda, gia molto tempo saria che essi ne haveriano serrato il passo. Mas, demais d'isto, pois que tira d'ahi muita fora este argumento, no devemos deixar de ter em conta o ciume dos portuguezes, que vedavam a communicao das informaes hydrographicas relativamente aos seus descobrimentos n'aquelles mares. Humboldt affirmou, _Histoire de la Geographie du Nouveau Continent_, tom. 4., p. 70, sobre a auctoridade de cartas de Angelo Trevigiano, secretario de Domenico Pisani, embaixador de Veneza na Hespanha, que os reis de Portugal defenderam, sob pena de morte, a exportao de cartas maritimas que revelassem a derrota a Calecut. Achamos igualmente em Ramusio, _Discorso sopra el libro di Odoardo Barbosa_, e _Sommario delle Indie Orientali_, tom. 1., p. 287 b, imposta similhante prohibio. Diz elle que estes livros estiveram occultos por muito tempo, e no se consentiu que fossem publicados por convenientes razes, que no devo aqui manifestar. Tambem falla da grande difficuldade que elle mesmo tivera de obter uma copia, posto que imperfeita, em Lisboa, Tanto possono observa elle gli interessi del principe. Pde formar-se alguma ida do conhecimento que possuiam os hespanhoes no meiado do seculo XVI cerca da parte do mundo de que tractamos, pelo seguinte extracto d'uma obra intitulada _El Libro de los Costumbres de todas las Gentes del Mundo y de las Indias_, traduzida e compilada pelo bacharel Francisco Thamara, Antuerpia, 1556: A treynta leguas de Java la menor, est el Gatigara a nueve y diez grados de la Equinocial de la otra parte azia el sur. Desde aqui adelante no ay noticia de mas tierras, porque no se ha navegado por esta parte mas adelante, y por tierra no se puede andar por los muchos lagos y grandes y altas montarias que por aqui ay. Y aun dizese que por aqui es el parayso terrenal. Ainda que isto no foi escripto originariamente em hespanhol, porm traduzido de Johannes Bohemus, no facil de crr que fosse apresentado aos hespanhoes, se entre elles houvessem mais exactas informaes a este respeito. Os factos assim reunidos levam-me concluso de que a terra descripta como la Grande Java nos mappas francezes a que tenho feito referencia, no pde ser seno a Australia; e que foi descoberta antes de 1542, quasi que pde acceitar-se como certeza demonstrada; porm, quanto tempo antes, no claro. Creio tambem que tenho conseguido fazer sentir a grande probabilidade de terem sido os portuguezes os seus descobridores. Em um mappa destinado a servir de esclarecimento s viagens de Drake e Cavendish por Jodocus Hondius, apresentada a Nova Guin como uma ilha perfeita, sem uma s palavra que faa nascer duvida cerca da exactido do desenho; emquanto que a terra Austral, separada da Nova Guin apenas por um estreito, tem um perfil notavelmente parecido ao do golpho de Carpentaria. Estas indicaes do a este mappa um interesse especial, principalmente porque se mostra que anterior passagem de Torres pelo estreito de Torres, em 1606, pois que tem as armas da rainha Elizabeth, antes que o unicornio da Escocia expulsasse o drago dos Tudors. No artigo _Terra Australis_, na obra de Cornelio Wytfliet, _Descriptionis Ptolemaicae Augmentum_, Louvain, 1598, encontramos o seguinte passo: Australis terra omnium aliarum terrarum australissima tenuique discreta freto Novam Guineam orienti objicit, paucis tantum hactenus littoribus cognitam, quod post unam atque alteram navigationem, cursus ille intermissus sit, et nisi coactis impulsisque nautis ventorum turbine rarius eo adnavigetur. Australis terra initium sumit duobus aut tribus gradibus sub aequatore, tantaeque a quibusdam magnitudinis esse perhibetur, ut si quando integr delecta erit, quintam illam mundi partem fore arbitrentur. A declarao que fica citada foi impressa, convm recordal-o, antes d'algum descobrimento da Australia de que tenhamos noticia authentica. Porm quando se examinam estas indicaes do descobrimento da Australia no XVI seculo, natural perguntar quaes exploraes haviam sido feitas pelos hespanhoes n'aquella parte do mundo, no decurso do dito seculo? Depois do periodo da viagem de D. Alvaro de Saavedra s Molucas em 1527, cessamos de encontrar a actividade do espirito de investigao por parte dos hespanhoes nos mares do sul. Embaraados pela sua situao politica, e pelos apuros do thesouro, o imperador, em 1529, renunciou definitivamente as suas pretenes s Molucas a troco de uma somma de dinheiro, posto que manteve a sua reclamao s ilhas descobertas pelos seus vassallos, ao nascente da linha de demarcao limitada agora aos portuguezes. Em 1542 foi mal succedida a tentativa de formar um estabelecimento nas ilhas Philippinas que fez Ruy Lopez de Villalobos; porm tendo-se attribuido o mau resultado falta de direco, foi enviada com igual intento nova expedio em 1564 sob o mando de Miguel Lopez de Legaspi, que obteve completo exito, e uma colonia hespanhola foi estabelecida em Zebu. No impossivel que este estabelecimento dsse occasio s viagens de descobrimento feitas n'este tempo pelos hespanhoes, das quaes nenhuma noticia foi publicada. Em 1567 Alvaro de Mendanha deu vla de Callo para uma viagem de descobrimentos, na qual descobriu as ilhas de Salomo e varias outras. Ha grande divergencia nas differentes relaes d'esta viagem. Em 1595 fez segunda viagem ao Per, na qual descobriu as ilhas Marquezas, e o grupo depois chamado por Carteret ilhas da rainha Carlota. O objecto d'esta expedio era fundar uma colonia nas ilhas de Salomo, que elle descobrira na precedente viagem, mas que pela inexactido dos seus calculos no foi capaz de encontrar. Tentou estabelecer uma colonia na ilha de Santa Cruz, mas no o conseguiu, e falleceu n'esta ilha. N'esta segunda viagem teve por principal piloto Pedro Fernandez de Quiros, que pde ser considerado como o ultimo dos distinctos marinheiros de Hespanha, e cujo nome reclama especial meno em uma obra que tracta das primeiras indicaes da Australia, posto que elle mesmo nunca visse as praias d'aquella grande ilha continental[2]. O descobrimento da ilha de Santa Cruz suggeriu ao espirito de Quiros que o grande continente sul estava emfim descoberto, e encontramos em duas memorias por elle dirigidas a D. L. de Velasco, vice-rei do Per, o primeiro debate circumstanciado cerca d'esta grande questo geographica, a qual, posto que elle proprio no estava destinado a demonstrar por via d'algum descobrimento actual, no obstante pde dizer-se que, directamente mediante elle mesmo, foi posta no caso de ser resolvida. certo que, nutrindo estas vagas hesitaes com respeito existencia de um continente sul, se torna difficil fazer distinco entre a Australia propriamente dita e o grande continente descoberto no presente seculo, vinte ou trinta graus ao sul d'aquella vasta ilha. Dalrymple, que, ha perto de dois seculos, advogava com energia a causa sustentada por Quiros, fallando d'este navegador, diz: O descobrimento do continente sul em qualquer tempo, e por quem quer que tenha de ser effeituado completamente, de justia devido a este nome immortal. Deveria advertir-se, que, de feito ha tres motivos de duvida relativamente ao nome d'aquelle navegador, o que convm notar, porque podem transviar o juizo do leitor superficial da historia da navegao d'aquelle periodo, quanto sua connexo com o descobrimento da Australia. Em primeiro logar, com quanto geralmente seja reputado hespanhol, descripto por Nicolau Antonio, auctor da _Bibliotheca Hispana_, que era hespanhol, e no deixaria de querer, como deve suppr-se, reclamar um to distincto navegador para seu concidado, como lusitanus, eborensis, ut aiunt lusitani (portuguez, que os portuguezes affirmam ser natural d'Evora), e o estylo dos seus escriptos justifica a supposio. Em segundo logar, Antonio de Ulloa, no seu _Resumen_, p. 119, cita uma relao da viagem de Quiros, que se diz dada na _Historia de la Religion Serafica_, de Diogo de Cordova (obra que eu no tenho tido a boa fortuna de encontrar), onde se menciona o descobrimento de uma larga ilha no vigesimo oitavo grau de latitude sul, a qual latitude fica mais ao sul do que de qualquer modo se sabe terem chegado Quiros ou os seus companheiros. Em terceiro logar, as memorias impressas de Quiros tem o titulo de _Terra Australis Incognita_, em quanto que a terra Austral sul, descoberta pelo mesmo Quiros, e por elle denominada del Espiritu Santo no seno a New Hebrides dos mappas de hoje. A Quiros e Dalrymple somos de feito devedores indirectamente da primeira designao que d algum sentido nomenclatura moderna que se refere Australia, a saber, em relao ao estreito de Torres. Que Quiros, portuguez, ou hespanhol por nascimento, estava ao servio de Hespanha, no padece duvida nenhuma. O vice-rei do Per favoreceu com ardor os seus planos, porm considerou a execuo d'elles como fra dos limites da sua propria alada. Em consequencia, instou com Quiros para que puzesse a questo na presena do monarcha hespanhol em Madrid, e lhe deu cartas para recommendar a sua preteno. Se Philippe III foi movido pelos argumentos de Quiros relativamente ao descobrimento do continente do sul, ou antes pelo desejo de explorar a estrada entre a Hespanha e America pelo nascente, com a esperana de descobrir as opulentas ilhas que demoram entre a Nova Guin e a China, no precisamos deter-nos a disputal-o. possivel que pesassem ambos estes motivos, porque Quiros foi enviado ao Per com plenos poderes, dirigidos ao vice-rei, conde de Monterey, para pr por obra o seu plano, e foi assistido amplamente com dois navios bem armados e uma corveta, com cujas foras deu vela de Callo a 21 de dezembro de 1605. Luiz Vaez de Torres commandou o _Almirante_, ou segundo navio, d'esta expedio. A viagem foi considerada como da maior importancia, e Torquemada, na relao que faz d'ella na _Monarchia Indica_, diz que os navios eram os mais alterosos e bem armados que se tinham visto n'aquelles mares. O objecto era fazer um estabelecimento na ilha de Santa Cruz, e partir d'ali para procurar a Tierra Austral, ou continente sul. Depois do descobrimento de varias ilhas, Quiros chegou a uma terra que nomeou Australia del Espiritu Santo, julgando fazer parte do grande continente sul. meia noite do dia 11 de junho de 1606, em quanto os tres navios jaziam ancorados na bahia a que deram o nome de So Philippe e So Thiago, Quiros, por motivos ignorados, e sem dar signal nem aviso, ou foi arrojado por uma tempestade, ou largou do porto, e achou-se apartado dos outros dois navios. Subsequentemente separao, Torres achou que a Australia del Espiritu Santo era uma ilha, e ento continuou a derrota para o poente, proseguindo as suas investigaes. Pelo mez de agosto de 1606 cahiu sobre uma costa no undecimo e meio grau de latitude sul, que chamou principio da Nova Guin--apparentemente a parte sudoeste da ilha, ao depois chamada Luisiada por M. de Bougainville, e que se sabe hoje ser uma cada de ilhas. Como no pde passar para a parte do vento d'esta terra, Torres margeou na extenso do lado sul, e elle mesmo deu a seguinte relao do rumo que seguiu. Navegmos trezentas leguas de costa, como j disse, e encurtmos a latitude 2 1/2 graus, o que nos trouxe a 9 graus. Dahi achmo-nos sobre um banco de tres a nove braas, que se estende ao longo da costa por espao de cento e oitenta leguas. Proseguimos, acompanhando a costa, at 7 1/2 graus de latitude sul; e o seu termo em 5 graus. No podmos ir mais alm por causa das muitas restingas e fortes correntes, de sorte que fomos obrigados a navegar ao sudoeste, n'aquelle fundo d'agua, at 11 graus de latitude sul. Todo aquelle espao um archipelago de ilhas sem numero pelas quaes passmos; e no fim do undecimo grau o banco torna-se mais areento. Ha aqui mui grandes ilhas, e outras apparecem mais ao sul. So habitadas por negros, corpulentos e ns. As suas armas so lanas, settas, e massas armadas com pedras mal affeioadas. No podmos obter nenhuma das suas armas. Colhemos em toda esta terra obra de vinte pessoas de differentes naes, a fim de podermos, por via dellas, dar melhor informao das coisas a Vossa Magestade. Do larga noticia de outro povo, posto que no se fazem entender com facilidade. Detivemo-nos sobre este banco dois mezes, ao cabo do qual tempo nos achmos em vinte e cinco braas, 5 graus de latitude sul, e dez leguas de distancia da costa; e, tendo caminhado quatrocentas e oitenta leguas, a costa corta ao nordeste. No a examinei, porque o banco torna-se muito baixo. Assim, pois, navegmos para o norte. As grandes ilhas vistas por Torres no undecimo grau de latitude sul, so evidentemente os serros do cabo York; e os dois mezes de difficil navegao foram consumidos em passar o estreito que separa a Australia da Nova Guin. Uma cpia da carta de Torres foi guardada felizmente nos archivos de Manilha, e at que foi tomada aquella cidade em 1762 pelos inglezes, no se sabe que este documento fosse descoberto por Dalrymple, que pagou merecido tributo memoria do distincto navegador hespanhol, dando a este perigoso passo o nome de _estreito de Torres_, que desde ento ha conservado. Quiros chegou ao Mexico a 3 de outubro de 1606, nove mezes depois da sua partida de Callo. Tomado profundamente do sentimento da importancia dos seus descobrimentos, dirigiu varias memorias a Philippe III, manifestando vehemente desejo de investigaes ulteriores n'aquellas regies desconhecidas; porm, depois d'alguns annos de frustrada perseverana falleceu em Panam no anno de 1614, deixando aps de si um nome que, no merito, com quanto no no resultado, foi o segundo smente depois de Colombo; e com elle expirou o heroismo naval da Hespanha. Raciocinando como diz Dalrymple segundo os principios da sciencia, e com profunda reflexo, affirmou a existencia do continente sul, e votou-se durante o resto da vida, com diligencia infatigavel, posto que mal apreciada, a fazer vingar esta concepo sublime. Em um documento dirigido ao rei d'Hespanha por frei Joo Luiz Arias, d-se noticia do teor energico com que se houve Quiros para resuscitar as empresas hespanholas nos mares do sul, e com especialidade em relao ao grande continente sul. Comtudo, em quanto a gloria das empresas navaes hespanholas assim declinava, essa mesma nao que a Hespanha tinha esmagado e perseguido, preparava-se para supplantal-a na carreira da audacia e da prosperidade. A guerra da independencia tinha excitado a energia das provincias dos Paizes-Baixos, que se haviam libertado do jugo hespanhol; ao passo que as crueldades, perpetradas nas provincias que os hespanhoes tinham conseguido novamente subjugar, levavam ao exilio um numero de familias quasi incrivel. A maior parte d'estas estabeleceu-se nas provincias do norte, e por conseguinte, levou para ali o influxo de prodigiosa actividade. Entre os emigrados havia numerosos commerciantes emprehendedores, principalmente de Antuerpia, cidade que por largos annos teve quinho muito consideravel, posto que indirecto, no commercio transatlantico de Hespanha e Portugal, e que de sobejo conhecia as suas immensas vantagens. Estes homens estavam naturalmente animados com o odio mais rancoroso dos desterrados, exacerbado pela differena da f, e pela memoria de muitas injurias. A ida que tomou vulto entre elles foi privar a Hespanha do commercio transatlantico, e por este meio acanhar-lhe os recursos, accrescentar os dos protestantes, e d'esta arte resgatar eventualmente as provincias do sul dos Paizes-Baixos do poder dos seus oppressores. Esta ida, ao principio praticada vagamente entre poucos, tornou-se geral quando os hespanhoes prohibiram aos navios hollandezes o empregarem-se em qualquer sorte de trafico com a Hespanha. Esse trafico existira apesar das guerras, e havia subministrado aos hollandezes os principaes meios de as sustentarem. Vendo-se expulsos com tal violencia do quinho que lhes cabia no commercio transatlantico, os hollandezes determinaram rehavel-o com juros. A geographia e hydrographia tornaram-se ento objecto do estudo e applicao mais desvelada; e este periodo distinguiu-se pela appario de homens como Ortelius, Mercator, Plancius, De Bry, Hulsius, Cluverius, etc., que somos agora obrigados a considerar como paes da moderna geographia. D'estes, o mais ardente em transformar os recursos da sciencia em arma contra os oppressores da sua patria, foi Peter Plancius, ecclesiastico calvinista, que abriu em Amsterdam uma escola nautica e geographica, com o expresso designio de ensinar os seus concidados a acharem o caminho da India, e outros mananciaes d'onde a Hespanha derivra a sua fora. No nos detemos em apreciar os seus esforos de achar pelo norte vereda para o oriente. O conhecimento do caminho que levava directamente quella opulenta poro do mundo, accrescentou-se notavelmente com o apparecimento da grande obra de Joo Huyghen van Linschoten (Amst. 1595-1596). Linschoten havia vivido quatorze annos com os portuguezes nas suas possesses do oriente, e colligira ali abundante cabedal d'informaes. A companhia hollandeza da India oriental foi estabelecida em 1602; e em 1606, encontramos um navio da Hollanda fazendo o primeiro descobrimento authentico do grande territorio sul, a que deram o nome de Nova Hollanda. No nosso tempo, aquella designao foi trocada por indicao de Matthew Flinders, a quem somos devedores dos conhecimentos da hydrographia d'aquelle paiz, pelo distincto e apropriado nome de Australia. Dos descobrimentos feitos pelos hollandezes nas costas da Australia, pouca noticia tiveram os nossos antecessores ainda ha cem annos, e os proprios hollandezes. O que ento era conhecido, conserva-se na obra _Relations de divers Voyages Curieux_ de Melchisedech Thevenot (Paris 1663-72, fol.); em o _Noord en Oost Tartarye_ de Nicolo Witsen, (Amst. 1692-1705, fol.); na de Valentyn _Oud en Nieuw Oost Indien_ (Amst. 1724-26, fol.); e na _Inleidning tot de algemeen Geographie_ de Nicolau Struyk, (Amst. 1740, 4.). Temos obtido, todavia, depois d'isso varios esclarecimentos, por via de um documento que chegou s mos de sir Joseph Banks, e foi publicado por Alexandre Dalrymple (quelle tempo hydrographo do almirantado na companhia da India oriental), na sua colleco concernente a Papua. Este curioso e interessante documento cpia das instruces dadas ao commodoro Abel Jansz Tasman para a sua segunda viagem de descobrimentos. Aquelle distincto commandante j tinha descoberto, em 1642, no s a ilha agora do seu nome chamada Tasmania, mas tambem a Nova Zelandia, e, rodeando o lado oriental da Australia, mas sem o vr, navegou na viagem de volta ao longo da praia-norte da Nova Guin. Em janeiro, 1644, foi enviado a fazer segunda viagem; e acompanhou as instruces assignadas pelo governador geral, Antonio Van Diemen e pelos membros do conselho, de um preambulo, no qual, segundo a ordem chronologica, se referem os precedentes descobrimentos dos hollandezes. Por esta narrao, combinada com um passo de Saris, inserto em _Purchas_, vol. I, p. 385, sabemos que: Em 18 de novembro, 1655, o hiate hollandez, Duyfhen (o Pombo), foi enviado de Bantam para examinar as ilhas da Nova Guin, e navegou ao longo do que se pensava ser a parte occidental d'aquelle territorio, at 19 3/4 graus de latitude sul. Este extenso territorio achou-se pela maior parte deserto; mas em alguns logares era habitado por negros selvagens, bravios e crueis, que mataram alguns homens da tripulao, por cujo motivo no se pde saber coisa alguma cerca da terra e das aguas, como se pretendia; e por falta de provises, e de outros objectos necessarios, foram obrigados a deixar o descobrimento incompleto. A extremidade mais saliente da terra tem nos seus mappas o nome de cabo Keer Weer, ou Torna-viagem segundo observa Flinders. A navegao de Fuyfhen da Nova Guin foi para o sul, ao longo das ilhas do lado occidental do estreito de Torres, para a parte da terra Austral um tanto ao poente e sul do cabo York. Porm pensava-se que todas estas terras eram continuadas, e que formavam a costa occidental da Nova Guin. Assim que, sem ter d'isso advertencia, o commandante da Duyfhen fez o primeiro descobrimento authentico de uma parte da grande Terra-Sul pelo mez de maro de 1606; porque se mostra que tinha regressado a Banda no comeo, ou antes de junho d'aquelle anno. A honra d'aquelle primeiro descobrimento authentico, como at aqui a historia o tem acceitado, estou agora no caso de a disputar. Ainda ha poucos dias descobri no Muso Britannico um Mappamundi Ms. em o qual, na extremidade noroeste de um territorio, que ao presente poderei demonstrar sem nenhuma duvida ser a Australia, occorre a seguinte legenda: Nuca antara foi descuberta o anno 1601 por mano (sic) el godinho de Evedia (sic) por mandado de (sic) Vio Rey Aives (sic) de Saldaha (sic) o que quasi no precisava de ser traduzido. Nuca Antara foi descoberta no anno de 1601, por Manuel Godinho de Eredia, por mandado do vice-rei Ayres de Saldanha. A desgraa ser este mappa smente uma cpia, porm creio que seria capaz de responder, fundado nas provas internas, que nenhuma duvida pde padecer a authenticidade da informao que n'elle se contm. O original foi feito pelo anno de 1620, depois do descobrimento da terra de Eendraght (Eendraght's Land), na costa occidental da Australia, pelos hollandezes em 1616, porm antes do descobrimento da costa sul por Pieter Nuyts em 1627. Longe do auctor suspeitar a existencia da costa sul, persevera no antigo erro, que prevalecera pelo decurso de todo o seculo XVI, representando a terra Austral como um vasto continente, cujas partes, as que tinham sido realmente descobertas, se prolongam para o norte at parallela, em que jazem respectivamente quelles descobrimentos. Assim, pois, temos n'este mappa a Australia, como foi j descripta, ao lado direito do mappa; e a ilha de Santa Cruz nas Novas Hebridas (New Hebrides), alli chamada Nova Jerusalem, descoberta por Quiros, ao lado esquerdo, porm ligadas ambas e formando parte de um grande continente sul. [Ilustrao: Fac simile de uma poro do mappa Ms. que se acha no Muso Britanico.] Agora pode objectar-se com respeito a este mappa, que no sendo seno cpia tirada no comeo do presente ou ao fechar do seculo passado, a exposio que d materia a este escripto pode ter sido inserta fraudulentamente. Porm para que pese uma tal considerao preciso apresentar um motivo, e o mais razoavel assignar a honra do primeiro descobrimento authentico a Portugal em vez de o attribuir Hollanda. Para isto necessario suppormos que o falsificador foi portuguez. Tenho a responder que, ao passo que tudo que est escripto no mappa em portuguez, a cpia foi tirada por pessoa que no s no era portugueza, mas demais a mais ignorava o portuguez. Por exemplo, a legenda em questo, breve como , contm no menos de cinco erros crassos que provam ignorancia da lingua; assim pois as palavras por Manuel esto escriptas por mano el Eredia est escripto Evedia do est escripto de Ayres est escripto Aives Saldanha est escripto Saldaha sem o til para indicar a abbreviatura. Mais ainda: se ha de attribuir-se a supposta falsificao ao intento de reclamar ulteriormente para os portuguezes a honra do primitivo descobrimento, d'onde nasce que nunca esse intento foi posto em execuo? Nunca, at hoje, aquelle facto se fez publico, e os mais interessados na antiga gloria da nao portugueza, ignoram o descobrimento que este mappa declara ter sido feito. Em quanto a no se ter tornado este objecto do dominio da historia, pde explicar-se pela comparativa pequena importancia que no tempo seria dada a um tal descobrimento, e tambem pelo facto de que, no estando j ento os portuguezes no apogo da sua prosperidade, no tomaram este objecto em maior conta, repetindo as expedies quelle territorio, como pouco depois os hollandezes realmente comearam a fazer. Alm d'isto, pde aventurar-se a conjectura de que, sendo o mappa uma cpia, a data do descobrimento pode ter sido transcripta menos cuidadosamente; assim, por exemplo, 1601 podia facilmente estar escripto no original 1610, e haver-se copiado erradamente. Por felicidade a exactido da data pde ser provada sem hesitao. Declara-se distinctamente que a viagem foi feita de ordem do vice-rei Ayres de Saldanha, o periodo de cujo vice-reinado abrange smente de 1600 at 1604, e por este modo fecha-se a porta possibilidade do erro imaginado, pois que termina antes do periodo dos primeiros descobrimentos dos hollandezes. Ainda mais; pde objectar-se, que possivel que um territorio indicado to vaga e incorrectamente no seja a Australia. A resposta to indisputavel como a que fixa a data do descobrimento. Immediatamente por baixo da legenda de que se trata, segue-se outra assim concebida: Terra descuberta pelos Holandeses a que chamaro Enduacht (sic) au Ccordia (terra descoberta pelos hollandezes, a que elles chamaram Endracht ou Concordia). Eendraghtsland, como todos sabemos, foi o nome dado a um largo tracto da costa occidental da Australia, descoberto pelo navio hollandez o Eendraght, em 1616. Todavia, se a legenda de que fallamos no cpia genuina de um antigo mappa genuino, como conseguiu o moderno falsificador ter conhecimento do nome de um cosmographo no imaginario, que viveu em Goa n'um periodo que se ajusta com o estado dos descobrimentos geographicos representado no mappa, do qual porm nenhuma produco manuscripta ha sido impressa no tempo em que o supposto mappa ficticio foi traado ou a legenda ficticiamente inserta? Penso que estes argumentos concluem, e estabelecem a legitimidade da cpia moderna do antigo mappa. Com respeito ao descobridor Manuel Godinho de Eredia (ou antes Heredia, como escrevem Barbosa Machado e Figanire), encontro a seguinte obra de que elle auctor: _Historia do Martyrio de Luiz Monteiro Coutinho, que padeceu por ordem do Rey Achem Raiamancor no anno de 1588, e dedicada ao illustrissimo D. Aleixo de Menezes, arcebispo de Braga_; cuja dedicatoria datada de Goa, em 11 de novembro de 1615; fol. Ms. com varias notas. Barbosa Machado chama-lhe distincto mathematico; e Figanire um cosmographo residente em Goa. Segue-se, como consequencia natural, que o mappa original foi executado por elle mesmo. A cpia veiu de Madrid, e foi comprada pelo Muso Britannico, em 1848, ao sr. de Michelena y Roxas. Ser materia de interesse descobrir algum dia a existencia do mappa original; mas, se aquella estava na livraria de Madrid, ou em alguma outra parte, deve ser assumpto de futuras investigaes. N'um pequeno volume intitulado _Informao da Aurea Chersoneso ou Peninsula e das ilhas Auriferas, Carbunculas e Aromaticas, ordenada por Manuel Godinho de Eredia, cosmographo_, copiada de um antigo Ms. e dada luz por Antonio Loureno Caminha, em uma reimpresso das _Ordenaes da India, do Senhor Rei D. Manuel_, Lisboa, Imprensa Regia, 1807, 8., encontra-se um logar que pode ser traduzido como segue: _Ilha do Ouro._ Em quanto os pescadores de Lamakera, na ilha de Solor[3] estavam occupados na pesca, levantou-se um to grande temporal que se lhes tornou absolutamente impossivel o regressar praia, e por tanto tiveram de ceder fora da tormenta, que foi tal, que por espao de cinco dias os deteve fora da ilha do Ouro, a qual jaz no mar na costa fronteira, ou contra-costa de Timor, que propriamente se chama costa do Sul. Quando os pescadores abicaram terra do Ouro, no tendo comido durante os dias da tormenta, saram a procurar provises. Foram to felizes e bem succedidos, que, em quanto inquiriam o terreno, buscando inhames e batatas, encontraram-se com to grande quantidade d'ouro, que carregaram o bote a ponto de no poder levar mais. Depois tomando agua e os necessarios bastecimentos para voltarem terra natal, padeceram outra borrasca, que os arremessou para a ilha do grande Ende[4]; alli desembarcaram todo o ouro, o que excitou grande inveja entre os endes. Estes mesmos endes determinaram por tanto, como os pescadores lamacheres, repetir a viagem; e quando estavam promptos para desaferrar, endes e lamacheres, apoderou-se d'elles to grande temor, que no se atreveram, por causa da sua ignorancia, a atravessar aquelle mar do Ouro. Parece na verdade, ser acto providencial do Altissimo que Manuel Godinho de Eredia, o cosmographo, tivesse recebido com misso do conde almirante, vice-rei da India dentro e alm do Ganges, para que o mesmo Eredia podesse ser meio de se accrescentarem novos patrimonios cora de Portugal, e de tornar-se rico o dito conde e a nao portugueza. E todos por tanto, e especialmente o dito senhor, houveram de reconhecer com gratido este servio assignalado, o qual obtendo completa realisao, merecer ser considerado como um dos mais ditosos e afortunados acontecimentos do mundo para gloria de Portugal. Em todo o caso, pois, o descobridor deve, por muitas razes, ser assistido efficazmente na empreza do ouro. Primeiramente, por se haver de ter atteno primeira posse do ouro pela cora de Portugal. Em segundo, pela facilidade da descoberta do ouro. Em terceiro, por serem as minas do ouro as maiores do mundo. Em quarto, porque o descobridor um instruido cosmographo. Em quinto, porque pde verificar ao mesmo tempo a descripo das ilhas do sul. Em sexto, por causa da nova christandade. Em setimo logar, porque o descobridor um capito experimentado, que se prope prestar muito grandes servios ao rei de Portugal, e ao felicissimo D. Francisco da Gama, conde da Vidigueira, almirante e vice-rei das Indias dentro e alm do Ganges, e senhor do ouro, carbunculos e especiaria do mar do oriente que pertence a Portugal. Desprovido da relao especial da viagem, mediante a qual foi feito o descobrimento, que d principal assumpto a este papel, quasi que no podemos contar para ulterior confirmao da sua verdade, seno com o que nos subministra o extracto que deixamos transcripto. Manuel Godinho de Eredia alli designado como um douto cosmographo e habil capito, que tinha recebido commisso especial para fazer a explorao das minas de ouro, e para verificar a descripo das ilhas do Sul. A propria ilha do Ouro descripta como situada na costa fronteira ou contra-costa de Timor, que propriamente se chama costa do Sul. muito provavel, conforme a esta descripo, que seja a mesma Nuca Antara do nosso mappa Ms., que demora sobre a costa sul em frente de Timor. tambem, alm djsso, de notar que o periodo da commisso dada a Eredia se approxima na data, como prova grande numero de factos, do descobrimento que se lhe attribue da Australia. O vice-rei, Francisco da Gama, que deu aquella commisso, foi o immediato predecessor de Ayres de Saldanha. A durao do seu governo abrange smente de 1597 a 1600, e o attribuido descobrimento foi feito em 1601, posto que no saibamos o mez. Difficilmente pde esperar-se mais cabal confirmao de um descobrimento, que no se acha mencionado seno n'um mappa provavelmente unico. Apresentando esta carta sociedade dos Antiquarios, que veneram o passado, no a fecharei sem uma palavra de reverencia e acatamento para com as antigas glorias de uma nao n'outros tempos poderosa. Os verdadeiros heroes do mundo so os iniciadores dos grandes feitos, os gastadores dos grandes descobridores. Taes foram os portuguezes nos dias em que o mundo quasi que no estava seno meio e mal conhecido. A Portugal devemos no s um Gama, porm, no menos, um Colombo, sem o qual o magestoso imperio d'aquella em cujo dominio nunca se esconde o sol, no fra acaso seno um sonho, em vez de uma realidade. A Inglaterra, cujos atrevidos marinheiros tem feito caminho por todos os mares, conhece quanta justia deve ser feita intrepidez dos seus nobres predecessores, que, em frageis caravellas, e atravez dos incommensuraveis pramos do oceano, poderam abrir estrada, no smente gloria da sua propria nao, mas tambem civilisao e prosperidade do mundo inteiro. Fico sendo, meu presado sir Henry, vosso de veras R. H. MAJOR. A sir Henry Ellis, K. H. etc., etc., etc. [1] Esta razo irrespondivel foi-me suggerida pelo fallecido distincto dr. Brown, que no s, como Humboldt o descreveu, era _Botanicorum facile princeps_, porm de si proprio tinha conhecimento da localidade de que fallava. [2] Com respeito noticia d'esta viagem v-de a carta de Quiros a D. Antonio de Morga, cap. VI, pag. 29, na obra _De Morga's Sucesos en las islas Philippinas_, Mexico 1609, 4.; e obra de Figueiroa, _Hechos de D. Garcia Hurtado de Mendoza_, quarto marqus de Caete, Madrid, 1613, 4., liv. 6, p. 238. [3] Os habitantes da costa de Solor so designados especialmente como pescadores por Crawfurd no seu _Dictionary of the Indian Islands_. [4] Esta a ilha das Flores. Em uma Lista das principaes minas de ouro, obtida por curiosidade de Manuel Godinho de Heredia, cosmographo, residente em Malaca por espao de mais de vinte annos publicada tambem com as Ordenaes da India, Lisboa, 1807, conta-se a mesma historia, porm a ilha Ende chamada ilha do Conde. End of the Project Gutenberg EBook of O descobrimento da Australia pelos portuguezes em 1601, by Richard Henry Major License: Share Alike