Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images of public domain material from Google Book Search) DELENDA EST CARTHAGO! DUAS PALAVRAS DITAS N'UMA ACADEMIA DE JOVENS, DO FUNCHAL, EM 28 DE FEVEREIRO DE 1909 POR EDUARDO PEREIRA DELENDA EST CARTHAGO! _DO MESMO AUCTOR_ _(A ENTRAR NO PRELO)_ _GOLPES--(versos, com prefacio de Gomes Leal e carta de Affonso Lopes Vieira)._ _INTIMOS--(contos e narrativas)._ _A MADEIXA--(entre-acto, em prosa)._ _NOSSA SENHORA DO CARMO--(prosa, verso do castelhano)._ _(A CONCLUIR)_ _JOB--(poema)._ _(EM PREPARAO)_ _TERRA-MATER--(poemeto)._ FUNCHAL 1913 DELENDA EST CARTHAGO! DUAS PALAVRAS DITAS N'UMA ACADEMIA DE JOVENS, DO FUNCHAL, (A 28 DE FEVEREIRO DE 1909) POR EDUARDO PEREIRA DA (J. C. M.) COMPOSTO E IMPRESSO SOB A DIRECO DO AUCTOR NA TYPOGRAPHIA ESPERANA FUNCHAL PODE IMPRIMIR-SE, FUNCHAL, 25 DE JULHO DE 1913. (a) CONEGO PEREIRA RIBEIRO, VIGARIO CAPITULAR O DESENHO DA CAPA DA SNRA. D. MARIA DE ORNELLAS, LAUREADA ARTISTA MADEIRENSE BRIOSA JUVENTUDE CATHOLICA PORTUGUESA HOMENAGEM DO AUCTOR Entre as prescripes da doutrina christ, ha uma sobre a qual devero insistir os paes, os directores espirituaes, os parochos, recebendo o impulso dos seus Bispos. Queremos fallar da necessidade de acautelar os filhos ou os discipulos contra essas sociedades criminosas, ensinando-lhes desde o principio a desconfiarem dos artificios perfidos e variados com auxilio dos quaes os seus proselitos procuram agarrar os homens. LEO XIII, PAPA SENHORES E CAMARADAS: No orgulho d'uma nao, est a fortaleza d'um heroe. Se Annibal Barca, conseguiu curvar a cerviz orgulhosa Republica romana,[1] porque trazia nas veias sangue de espartano. Roma, porm, offendida no seu orgulho de invencivel, jurou-lhe para logo, no desespero d'um athleta humilhado, vingana por tamanha affronta.[2] Publio Scipio no se fez esperar em Africa. Encontrados os dois rivaes, Scipio e Annibal, bateram-se em lucta accesa como lees![3] Carthago recebia sentena de morte! Estava vingada uma affronta, mas affrontado o valor d'um soldado! Quando Annibal Barca viu o occaso de Zama, ajoelhou sobre o epitaphio da sua heroecidade! Cedra os louros de tantas victorias pelo desprestigio d'uma derrota!... Alma da sympathia popular, Annibal Barca, foi lisongeado depois com o cargo de _suffeta_ de Carthago. A sua boa administrao saldou antes do praso a indemnisao de guerra; abarrotou as arcas do thesouro; desenvolveu consideravelmente o commercio e a industria; augmentou e disciplinou o exercito; e submetteu ao seu dominio as hordas bellicosas dos alliados. Barca fizera de Carthago o Golias da guerra e o Bismarck da politica. No foi nada! A vitalidade da Republica lybio-phenicia, chegou a ponto de attrahir sobre si, a rivalidade e o odio da Republica romana. De vil espolio de guerra, Carthago, evolucionava para um importuno fardo do seu vencedor! N'este comenos, Roma, passava o tempo a ruminar a colera do seu despeito; o Senado, convocava os membros muitas vezes ao dia; e a noite, no era sufficiente para discutir planos e levantar castellos! O refugiado de Hadrumeto,[4] ainda tentou sacudir de sobre os hombros os andrajos de vencido. Mas foi s um desabafo de soldado que no passou d'isto:--reunir exercitos! Porque Roma, muito ciosa dos seus pretendidos direitos, de supremacia universal, mandou immediatamente o velho Censor M. Porcio Cato, ao servio do Senado, na qualidade de embaixador secreto, espionar a sua alliada de ha dois dias. Ao entrar em Carthago, o matreiro espia, quando viu que a desventurada cidade resurgia das ruinas da sua desgraa e tomava pulso para um derradeiro esforo, no foi menor o espanto que o desespero do velho Censor! Da sua alma soberba, vibrante de patriotismo e de vingana, sahiu espontaneamente este grito:--_Delenda est Carthago!_ E todas as vezes que fallava no Senado, terminava sempre os seus discursos, com as lagrimas nos olhos, gritando:--_Delenda est Carthago!_ Carthago deve ser arrasada! * * * * * Jovens catholicos, eu, moo embaixador do meu patriotismo, fao as vezes do romano Cato e venho gritar com todo o ardor da minha alma e inteira energia dos meus pulmes:--_Delenda est Carthago!_ Deve ser destruida Carthago! No a Carthago inimiga de Roma, mas a Carthago inimiga da nacionalidade portugueza; a Carthago que lhe vem sugando as entranhas; a Carthago que arruina a nossa independencia e desequilibra a nossa autonomia. _Delenda est Carthago!_--Carthago deve ser arrasada! * * * * * A exemplo umas das outras, crescem, civilizam-se e progridem as naes. Portugal, tem decahido no conceito dos povos[5]!... cr, ter um filho de confessar os desvarios de sua me, mas j agora, no arrepiarei um passo do meu lemma:--dizer a verdade. A nossa vida social e politica est atravessando um periodo grave de accentuada decadencia[6]! Convencemo-nos por demais da nossa pequenez, eis porque nos perdemos[7]! Mas, como diz o Conde de Poli, no a extenso, isto , o poderio, que faz a soberania, no: a faculdade de uma nao poder governar-se a si propria, em summa, a liberdade! Ento como nos temos governado? Bem ou mal, no me compete a mim, fraco juiz da minha pessoa, julgar a alheia. Apenas, dentro da esphera dos meus direitos, apresento a critica imparcial dos factos. A unio dos homens na sociedade para o bem, alm de ser uma necessidade, a exigencia d'um direito individual innto[8]. Mas a unio para o mal, no s um crime como um abuso d'esse direito. a decadencia intellectual dos individuos e a bancarrota da sociedade[9]. E a razo desta affirmativa est, em que os individuos, sendo livres para o bem, no podem abusar d'essa liberdade sem ir de encontro sua propria natureza, postergando os proprios direitos e os direitos dos seus concidados. Mais: o homem que se deixa coagir para o mal no seu livre arbitrio, no tem dignidade ou um louco. E com homens loucos ou individuos sem dignidade, no pode haver justia e falta necessariamente a moralidade. A sociedade periclita e morre! Isto em principio. Vamos s deduces: Quem entra com o p esquerdo no palco da vida, diz a sabedoria das naes, enceta mal a sua carreira; unirem-se individuos para o mal, est provado que de si um direito illegitimo e um attentado de lesa-humanidade; portanto, que havemos de esperar de certas sociedades, cuja existencia se subtrahiu aos direitos da consciencia humana e cuja aco os est devendo ao direito das naes?! Se pois o alicerce comeou falso, o que ser o corpo do edificio?... Clandestinamente, reunem-se certos individuos. Aonde? No segredo das trevas! Em virtude de que direito? D'um abuso de liberdade! Dentro de que lei? sombra protectora do manto dos governos! E que tratam? Mysterios! Que mandam? Odio auctoridade e guerra a Deus! Ora, em odiar a auctoridade e guerrear Deus, no vejo outra cousa, que no seja a ruina das sociedades e o anniquilamento das naes[10]! Ha n'este lemma diabolico, um attentado contra o homem e uma blasphemia contra Deus! querer quebrar os laos da familia e desorganisar a sociedade[11]; fomentar a desordem e perturbar a paz; deprimir a intelligencia e escravisar a vontade; desmoralisar e perder; arrastar e seduzir; armar sicarios e preparar revolues!... Eis o que so em deduco synthetica as sociedades secretas. Esto consequentemente, liquidadas no seu direito existencia e nas vantagens que offerecem Sociedade[12]. Mas, no discuto uma hypothese, tenho por mim a realidade dos factos! A Sociedade secreta existe infelizmente em Portugal. A sua existencia ahi est patente aos olhos de todos, nas suas lojas, nos jornaes, nos comicios, na praa publica, na casa particular; na esquina da rua e adentro dos cemiterios; na officina do operario e no escriptorio do capitalista; no livro e na escola; dentro da lei e nas mos dos legisladores! E existe sob varios systemas, para os peores fins[13]! Uma quer a patria para a desordem, outra para a chimera e ainda outra para a impiedade! Auctoridade, propriedade e Deus, so fardos velhos que pesam sobre a consciencia d'esses individuos!... E a Sociedade secreta quem impera, quem manda e quem vence, na ordem economico-politico e social de todo o Globo[14]! Eis aqui o alvo onde eu queria bater. E por menos logico que fossemos, a outra porta no haviamos de lanar os males que enfermam a nossa Patria. Por isso, dizia no principio d'este:--que a nossa vida social e politica estava atravessando um periodo de accentuada decadencia. Disse e accrescento:--talvez, de proxima ruina[15]! A Sociedade secreta! eis a Carthago que preciso combater! _Delenda est Carthago!_ EM FORMA DE EPILOGO Entra no mundo das lettras o meu primeiro trabalho em volume. No tem a preteno d'um livro, nem se arroga direitos de auctoridade. Simples entre os humildes, nasceu expontaneo e agreste, como uma silva brava entre as urzes do montado. Do mesmo modo todos os que se lhe seguirem. Este, como os outros, so apenas filhos da crena verdadeira, do amor sincero e da verdade amarga. So filhos da crena por Deus, filhos do amor pelo bem e filhos da verdade pela justia! Vo estas palavras, em forma de *Epilogo*, no para esconderem em pelle de cordeiro um lobo, nem para levantarem ao Capitolio da Fama, quem s merece a Tarpeia da Obscuridade; seno para darem razo de ser d'este volume e evitarem o se torcer e deturpar o sentido legitimo do que fica escripto. Foi defendida, hontem, sem politica, a these. Sae hoje a publico, sem politica, o volume. to somente uma questo sociologica; uma exposio de principios; uma afirmao de crenas; um grito d'alma; uma vibrao d'amor patriotico! Isto! Nada mais! Sugeriu-me a ideia de publicar este opusculo, o desejo de offerecer uma lembrana aos meus amigos. Recebam-n'o como tal os que sabem apreciar a minha amizade. Os outros, saibam ser to imparciaes como vivem distantes. Eis a razo d'este volume. FUNCHAL SEPTEMBRO DE 1913 E. P. ERRATAS SO OSSOS DO OFFICIO QUE SEMPRE OS DEIXA QUEM TRABALHA [1] Nas celebres batalhas de Sagunto em (219 a. C.) e Cannas em (216 a. C.). [2] Roma era ento, a senhora do Mundo. Mas em seguida batalha de Cannas, a Republica romana, julgou-se de tal modo perdida, que se no desesperou da sua sorte, foi porque ainda lhe restava a m sorte dos seus escravos. Tendo sido abandonada por uma parte dos alliados e--quando j se fallava em procurar um refugio alm dos mares--(A. M. RAMOS), alistaram-se, no entretanto, todos os mancebos capazes de pegarem em armas e lanou-se mo at dos proprios escravos! [3] Na sangrenta batalha de Zama em (202 a. C.) [4] Velha cidade de Tyro, ao sul de Carthago, na costa oriental da Tunisia onde se refugiou A. Barca. [5] Portugal um dos pontos negros da Europa, na crise que atravessamos--CONEGO SENNA FREITAS--_As Novidades no Pelourinho._ [6] grave, quasi afflictiva a situao financeira. Mais grave, mais afflictiva a situao politica. ................................................................. Nenhum dos actuaes partidos politicos conhece o paiz. A fora indomavel da tradio, os interesses permanentes das classes, a sensibilidade quasi doentia da alma portugueza, isso a que os publicistas modernos chamam--as foras invisiveis, inaccessiveis coaco physica--a profunda ignorancia da maior parte do paiz aggravando o alis natural predominio dos interesses conservadores, a nossa melindrosa situao internacional a dois passos de um paiz que o sentimento da conservao obriga a hostilisar-nos e que pela assignatura do ultimo tratado com a Frana entrou no grupo das grandes potencias; as nossas relaes com uma grande nao, a Inglaterra, palldio das liberdades publicas e onde a nossa politica e administrao provocam quotidianas demonstraes de hostilidade; as claras pretenses da Allemanha a uma parte do nosso dominio colonial ultramarino e a evidente m vontade dos seus poderes publicos pelas novas instituies portuguezas; a possibilidade de uma _entente _entre a Inglaterra e a Hespanha acrca da nossa politica interna, recebendo ou no recebendo a Allemanha, em troca da sua neutralidade compensaes territoriaes na Africa Portuguesa: tudo isso escapa mentalidade jacobina dos psudo orientadores da opinio republicana. .................................................................... Assim, para qualquer lado que volvamos os olhos, logo deparamos com um abysmo torvo e hiante. Por isso com reticencias fecham os politicos as suas consideraes sobre a crise. que ninguem, com effeito, v claro na situao actual; ninguem, ninguem, ninguem! Ou antes todos os espiritos lucidos vm a mesma cousa que desesperadamente occultam! DR. CUNHA E COSTA--_Balano politico_ (do Anno de 1912)--n'_O Dia_, n. 374 de 31-12-1912. [7] Seno falle por ns as Novidades de 22 d'agosto de 1890:--Na historia da nossa decadencia, levantou-se um novo e ruidoso padro. O tratado do sr. Hintze Ribeiro segue-se n'esta serie lamentosa ao tratado de Methwen, e deixa-o no escuro. Em nossa honra e consciencia, diremos alto e bom som: o tratado firmado em nome de Portugal com a Inglaterra um padro de imperecivel ignominia, e o dia, em que o seu texto completo for publicado no _Diario do Governo_, dever ser considerado por todos os cidados amantes do seu paiz como um verdadeiro dia de luto nacional. [8] Les hommes ne doivent pas seulement vivre en famille, mais s'unir en une socit plus large, qui s'appellera tribu, cit, nation. La nature meme de l'homme lui fait de la tendance sociale un besoin et une loi. Considerez en effet, les facults de l'homme, vous verrez que toutes, pour acqurir leur panouissement, exigent le bienfait de la vie sociale. Pour l'entretien convenable de sa vie corporelle, mille objets sont ncessaires ou utiles; de l naissent les metiers si divers et les changes qui en sont la suite. Voyez au-dessus, la vie intellectuelle, dans son double essor, la science et l'art: pour naitre, grandir, s'panouir, ces deux fleurs plongent leurs racines dans le terrain social et empruntent l'atmosphre sociale l'air qu'elles respirent. Plus ncessaire encore et plus belle, plus gnrale aussi est la vie morale, puisqu'elle rgne en toute conscience humaine, et qu'elle prpare l'immortelle vie, la vie en Dieu, l'aquelle tout homme est destin! Or, c'est dans la vie sociale que se conservent les donnes fondamentales de la morale; c'est l qu'elles trouvent leurs principales applications. Toute vie morale, en effet, repose sur une tradition religieuse aussi ancienne que l'homme; elle est domine par un fait qui est la vocation de l'humanit un tat surnaturel et une fin surnaturelle. Or, ce fait et cette tradition ne peuvent tre et connus et transmis que par la socit et par son enseignement. Pour arriver cette fin, l'homme a besoin de la force que donnent le milieu et l'education, l'exemple et l'entrainement mutuel; il a besoin pour son corps et pour son me de l'aide et de la charit fraternelles. C'est dans la societ avec ses semblables qu'il peut pratiquer la vertu et le dvouement qui s'imposent lui pour remplir sa destine. N'est-il pas juste, enfin, que les hommes, enfants d'un mme Dieu, s'unissent pour rendre leur Pre et leur Maitre les devoirs de religion qui lui sont dus? MR. DEHON--_La Socit_ [9] Si la socit n'a d'autre principe qu'un libre contrat (J. J. ROSSEAU), l'Etat, une fois constitu, est la seule source du droit; il ne reconnait aucun droit anterieur ou suprieur au sien. L'individu ne peut lui opposer ni sa conscience, ni sa destine cleste. La famille n'a d'autre loi et d'autre constitution que celle qu'elle reoit de l'Etat. La religion n'a point de droit divin. Ce qu'il plait l'Etat d'ordonner, cela est le droit. Ds lors, l'arbitraire sanctionn par le nombre, soutenu par la force, voil la loi. ... C'est la porte ouverte aux extravagances sociales, l'anarchie. MR. DEHON--_La Socit_ [10] Ainda que o homem, impellido por uma certa arrogancia e indocilidade, se sinta muitas vezes inclinado a repellir o freio da auctoridade, nunca pde, todavia, chegar a no obedecer a pessoa alguma. A propria fora da necessidade exige que alguns tenham o mando em toda a associao e communidade d'homens, a fim de que a sociedade se no desmorone, privada d'um principe ou d'um chefe para a dirigir, e se no colloque na impossibilidade de attingir o fim para que se constituiu. LEO XIII, PAPA--_Enc. de 29 de junho de 1882._ Sem auctoridade, a sociedade no pessoa moral, porque no tem em si o principio da sua essencia, unidade e actividade. T. SINIBALDI--_Direito Social_ La nature de l'homme et sa destine, les intrts de la famille et ceux de l'Etat sont tels qu'il n'est pas possible de les sparer de l'ide de Dieu ou de la religion. Son oubli entraine tous les dsordres; elle est ncessaire la prosprit mme matrielle de la prsente. Par la religion, la vie individuelle et la vie sociale s'orientent dans leur vrai sens, c'est--dire vers Dieu. .................................................................... La socit, pour atteindre sa perfection, a besoin de liberte, de justice et de dvouement, alors que les passions humaines sont toujours prtes enfanter l'goisme, l'injustice et le despotisme. Seule, la religion a rendu aux hommes leur pleine libert; seule, elle assure dans les relations publiques et prives les bienfaits de la justice; seule, elle inspire au coeur humain les dvouements continus et les hrosmes cachs, meme quand il n'y a aucun espoir de rcompense humaine. MR. DEHON--_La Religion_ Quando se tem assistido de perto a este espectaculo, pode avaliar-se a influencia do Christianismo nas nossas modernas sociedades, pois elle que traz o pudor, a doura, a humanidade e que, entre ns, conserva a honradez, a boa f e a justia. Nem a razo philosophica, nem a cultura artistica e litteraria, nem a honra feudal, militar e cavalheiresca, nem os codigos, nem os governos, nem as administraes podem substituil-o n'esta obra benefica. TAINE--_Orig. de la France contemporaine_ No existe povo algum, por inculto e selvagem que seja, que no tenha f em Deus, apesar de no conhecer-lhe a essencia--_Omnibus de diis opinio insita est nec ulla gens usquam est adeo extra legisque moresque projecta, ut non aliquos deos credat._ CICERO--_De Legg. I, 24._ Os principes e as republicas, que desejam manter-se incorruptos, devem sobretudo manter incorruptas as cerimonias da Religio e prestar-lhes a devida venerao. Porquanto o desprezo do culto divino o maior indicio da ruina d'uma provincia. MACCHIAVELLI--_La mente di un uomo di stato _(L. I, c. 13) [11] E na verdade, supprimi o temor de Deus e o respeito devido s suas leis; deixae cahir o descredito sobre a auctoridade dos principes; dae livre curso e animao mania das revolues; soltae as redeas s paixes populares; quebrae todo o freio, excepto o dos castigos, chegareis pela fora das circunstancias ao transtorno universal e ruina de todas as instituies... LEO XIII, PAPA.--_Enc. de 20 d'Abril 1884_ [12] O mal que ellas fazem revela-se de tempos a tempos, por terriveis revolues religiosas ou politicas. Mas, ainda que no succedessem d'estas exploses assustadoras, o mal no seria menos real; com effeito para que podem servir estes recrutamentos mysteriosos, estes juramentos que collocam seus adeptos inteira disposio de chefes mais ou menos conhecidos, essa disciplina de ferro que arrasta algumas vezes os adeptos at o assassinato? Occultar-se para deliberar e para obrar, no d nem bom exemplo, nem boa esperana. DR. J. DIDIOT--_Sociedades secretas_ [13] Existe no mundo um certo numero de seitas que apesar de se differenarem umas das outras no nome, nos ritos, na forma e na origem, se assemelham e ajustam entre si pela analogia do escopo e dos principios essenciaes. LEO XIII, PAPA--_Enc. de 20 d'Abril de 1884_ [14] Empregando a um tempo a audacia e o ardil, (a Sociedade secreta) invadiu todas as classes da gerarchia social e comeou a tomar no seio dos Estados modernos um poder que quasi equivale soberania. D'esta rapida e formidavel alastrao resultaram precisamente para a Egreja, para a auctoridade dos Principes, para o bem publico, os males que os nossos predecessores haviam previsto desde muito tempo. E somos j chegados a ponto de haver motivo para conceber os mais serios receios pelo futuro; no certamente quanto ao que diz respeito Egreja, cujos solidos fundamentos no podem ser abalados pelos esforos dos homens, mas relativamente segurana dos Estados, no seio dos quaes se tornaram poderosissimas... LEO XIII, PAPA--_Idem_ [15] Por terra a tunica em pedaos Agonisando a Patria est. Mocidade, oio os teus passos!... Beija-a na fronte, ergue-a nos braos, No morrer! ..................................... ..................................... Rasga o teu peito sem cautella, D-lhe o teu sangue todo, v! Mocidade, heroica e bella, Morre a cantar!... morre... porque ella Reviver! GUERRA JUNQUEIRO--_Finis Patriae_ End of the Project Gutenberg EBook of Delenda est Carthago, by Eduardo Pereira License: Share Alike