Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images of public domain material from Google Book Search) ANTHERO DE QUENTAL ANTHERO DE QUENTAL ULTIMATUM DE 11 DE JANEIRO BARCELLOS Typographia da _Aurora do Cavado_ Editor--_R. V._ 1896 Tiragem apenas de 100 exemplares: 20 em papel de linho. 80 em papel d'algodo. N.___ Entre as manifestaes patrioticas que provocou no nosso paiz o nefando e negrejado _ultimatum_ de 11 de janeiro de 1890, data que assignala para a Inglaterra uma das paginas mais torpes e baixas de sua existencia, quasi toda entretecida de villanias, foi uma das mais notaveis, pela distincta collaborao que teve de muitos dos homens mais preeminentes do nosso paiz, e por n'elle se evidenciarem diversos escriptores de cunho do estrangeiro, o numero unico do _Anathema_, publicado em Coimbra, no mez de junho d'esse anno de 1890, pelos srs. Antonio Vaz de Macedo e Arthur Pinto da Rocha, e por elles dedicado a seus collegas os==Estudantes Portuguezes.==Sahido dos prlos da Imprensa Independencia, em formato in-folio, conta 47 paginas em bom papel-carto laminado, nitidamente impressas, e tendo por collaboradores artisticos Raphael Bordallo Pinheiro, Nicola Bibaglia e L. Battistini, entre os nomes de seus numerosos collaboradores litterarios registra os de Anthero de Quental, Raphael Labra, Joaquim de Araujo, Visconde de Seabra, Cesare Lombroso, Jean Fichepin, Joo Penha, Emilia Pardo Bzan, Silva Pinto, Enrico Ferri, Manoel Duarte d'Almeida, Gumerzindo de Azcrate, Juliette Adam, Gomes Leal, Pi y Margall, Oliveira Martins, F. Giner, Camillo Castello Branco, D. Joo da Camara, Auguste Vacquerie, Alves Mendes, Maria Amalia Vaz de Carvalho, Rodrigues de Freitas, Fernandes Costa, Bernardino Machado, Jos Julio Rodrigues, Joaquim Alves Matheus, Bulho Pato, Eduardo de Amicis, Joo de Deus, Henrique Lopes de Mendona, Teophilo Braga, Fialho de Almeida, P.e Barroso, Thomaz Ribeiro, Eugne Guyon, Consiglieri Pedroso, R. de Campoamor, Ea de Queiroz, Clovis Hugues, Guerra Junqueiro etc. Abre o n. Anthero de Quental com o artigo que em segida vae, e termina-o Clovis Hugues, o eminente poeta e democrata francez, com uns formosos e esplendidos, versos _ la jeunesse portugaise_. Rodrigo Velloso ULTIMATUM DE 11 DE JANEIRO H no grande movimento nacional, que comeou no dia 11 de janeiro, um elemento affirmativo, que a intensa paixo patriotica do povo portuguez, e um elemento negativo, o descredito das nossas instituies politicas, das praticas de governo e dos homens governantes. Se o primeiro uma inequivoca manifestao da vitalidade nacional, manifestao bem consoladora para todos os que j comeavam a descrer da alma collectiva d'este povo, o segundo o symptoma d'um estado morbido do organismo social, symptoma to grave que bem se pde dizer que sobreleva em importancia a todos os outros, aos olhos dos verdadeiros pensadores. Emquanto subsistir este lamentavel divorcio entre o sentimento nacional e o Estado, que por natureza deveria ser o seu orgo, faltar sempre nao portugueza a primeira condio para o seu perfeito estabelecimento, a qual o accordo intimo entre o povo e os seus governantes. Sem este accordo, o movimento nacional tomar cada vez mais um caracter incoherente e desordenado, e descambar finalmente n'uma verdadeira anarchia. pois necessario que esse funesto divorcio, preparado por trinta annos de materialismo politico, cesse e se restabelea a intima e indispensavel unidade moral da nao. Mas como? Pela revoluo? Seria essa a maior das calamidades. Como ento? Pela constituio dos orgos genuinos do sentimento nacional, semelhantes _Liga Patriotica do Norte_, que definindo a pura opinio patriotica e reformadora da nao, a imponham aos governos, quaesquer que elles sejam, e obriguem a Estado a converter-se sua verdadeira misso de representante e interprete do sentimento nacional. _Moralisar_ e _nacionalizar_ o Estado, tal deve ser depois de passado o primeiro impeto da paixo, o fim consciente do movimento popular iniciado no dia 11 de janeiro. Quando a nao portugueza tiver governos que verdadeiramente a representem e nos quaes confie, quando o Estado voltar a ser um orgo util e no uma excrescencia parasita e nociva do corpo social, s ento poderemos dizer que est dado o primeiro passo no caminho da restaurao das foras vitaes da sociedade portugueza. Fevereiro, 1890. End of Project Gutenberg's Ultimatum de 11 de Janeiro, by Antero de Quental License: Share Alike